Pedro Chagas Freitas revolta-se com silêncio sobre Gaza: “A única escolha possível é não ser cúmplice”

Pedro Chagas Freitas revolta-se com silêncio sobre Gaza: “A única escolha possível é não ser cúmplice”, assinalou.

Escritor quebra o silêncio e denuncia o que considera “a derrocada da condição humana”

Pedro Chagas Freitas usou as redes sociais, esta segunda-feira, para partilhar um texto emotivo e crítico sobre o que está a acontecer em Gaza. O escritor mostrou-se profundamente indignado com o que apelida de “normalização do horror”, deixando um apelo direto à consciência coletiva.


“Há um povo a ser esmagado. Não é metafórico, é literal”

O autor começou por afirmar que “nunca pensei ter de escrever este texto”, assumindo que o silêncio, nestas circunstâncias, seria uma forma de colaboração. “Eu não quero colaborar. A única decência possível é indignar-me. A única escolha possível é não ser cúmplice”, escreveu, referindo-se diretamente ao conflito em Gaza.

Pedro Chagas Freitas alertou para a gravidade da situação, frisando que “há um povo inteiro condenado à fome, à sede, ao medo, ao extermínio; em direto, com cobertura noticiosa, com hashtags”. Acrescentou ainda: “Há crianças sem olhos, mães com os filhos desfeitos ao colo, homens a enterrar o que resta da infância num saco preto”.


“O que se passa não é uma guerra; é um ritual”

De forma frontal, o escritor criticou a lógica que tenta justificar os ataques com base em argumentos políticos ou estratégicos. “Já sei o que vão dizer. Que tudo começou com o Hamas, que o Hamas é terrorista, que Israel tem direito à defesa. Certo. Expliquem-me: como é que se defende um Estado atacando hospitais, escolas, acampamentos de refugiados, ambulâncias, tendas, bebés?”, questionou.

Segundo o autor, o que está a acontecer ultrapassa os limites do político e entra numa dimensão mais profunda. “O que se passa não é uma guerra; é um ritual, um sacrifício, um laboratório de crueldade: é um ensaio para o inferno”, sublinhou.


“Estamos a ver um povo ser apagado — e estamos a aceitar”

Pedro Chagas Freitas criticou ainda o que vê como passividade global face ao sofrimento. “Mais grotesco ainda: não é segredo. Sabemos, vemos. Continuamos”, escreveu, apontando o dedo ao que considera ser uma moral seletiva por parte do Ocidente. “O Ocidente inventou uma moral universal que não se aplica aos árabes. A morte deles é sempre culpa deles”, afirmou.

O texto termina com um apelo à ação e à empatia. “Quando morre a empatia, morremos todos. Um pixel de cada vez”, concluiu. Para o escritor, não é tempo de explicações ou neutralidade: “Temos de falar mais alto do que o costume. Por mais que ninguém queira ouvir”.

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