Conta Lá adia decisão sobre futuro com dívida de quatro milhões e corte de pessoal em cima da mesa, segundo foi noticiado.
Quatro milhões de euros de dívida, um credor a exigir pagamento até ao final de agosto e a possibilidade de reduzir para metade o atual quadro de pessoal. O futuro do Conta Lá continua por decidir depois de a assembleia-geral extraordinária realizada na passada quinta-feira, 6 de agosto, ter sido interrompida ao fim de cerca de três horas.
A discussão será retomada a 12 de agosto. Até lá, Paulo Rego, antigo diretor-adjunto da Lusa e ex-administrador da Global Media, procurará reunir investidores interessados em participar num plano de recuperação do canal.
Paulo Rego procura investidores para viabilizar recuperação
Durante a assembleia-geral, Paulo Rego apresentou uma proposta destinada a encontrar capital que permita regularizar as responsabilidades financeiras da empresa.
O empresário manifestou disponibilidade para integrar o projeto e “colaborar” no pagamento de uma dívida estimada “em quatro milhões”, mas condicionou esse envolvimento à entrada de outros investidores.
Foi precisamente o pedido de tempo para procurar esses parceiros que impediu uma decisão definitiva sobre o segundo ponto da reunião, relacionado com o futuro da empresa.
Já o primeiro ponto da ordem de trabalhos avançou. Os acionistas aprovaram as matérias relacionadas com o aumento de capital, o prémio de emissão de ações e as prestações suplementares.
Credor exige pagamento até ao final de agosto
A pressão financeira não desaparece enquanto decorrem as negociações.
Entre os credores do Conta Lá estão a Ibertelco, responsável pela distribuição do sinal do canal aos operadores, a Autoridade Tributária e a Segurança Social.
A Ibertelco já terá estabelecido um prazo particularmente apertado, avisando que “a dívida tem de ser paga até final do mês”.
A continuidade do projeto televisivo fica, assim, ligada à capacidade de encontrar capital num curto espaço de tempo.
Quadro de 100 trabalhadores pode cair para 50
A reestruturação poderá também ter consequências profundas na equipa.
Entre os cenários que permanecem sobre a mesa está a redução do quadro de pessoal dos atuais 100 para 50 trabalhadores, além da possibilidade de aplicação de um lay-off parcial.
A assembleia contou com a participação de acionistas, pequenos acionistas, entre os quais trabalhadores, e investidores. Luís Mira esteve igualmente presente em representação da Confederação dos Agricultores de Portugal, entidade que detém uma participação na holding Ruralmedia.
A reunião de 12 de agosto será, por isso, determinante para perceber se Paulo Rego conseguiu reunir os parceiros financeiros necessários e que dimensão terá a reestruturação de um canal atualmente pressionado por dívida, prazos de pagamento e necessidade urgente de novo capital.
