“Big Brother All Stars” antes da estreia: pistas, críticas e uma ausência sentida são os destaques para já.
A casa ainda não abriu e já ninguém fala baixo. A estreia do “Big Brother All Stars” acontece este domingo, 6 de setembro, mas o jogo começou cá fora, entre pistas mal disfarçadas, nomes quase confirmados, críticas aos concorrentes mais temidos e a tristeza de quem ficou fora do painel de comentadores.
No “Em Família”, Mónica Jardim e Idevor Mendonça abriram espaço para a antevisão de uma edição construída com figuras conhecidas do público. Catarina Miranda, Miguel Vicente, Francisco Monteiro, David Diamond e Cátia Palhinha foram alguns dos nomes lançados para a conversa. Uns despertam entusiasmo, outros resistência. Indiferenença, por enquanto, não há.
Catarina Miranda divide opiniões antes de entrar
Alexandra Ferreira não escondeu as reservas em relação ao jogo de Catarina Miranda, embora reconheça o valor televisivo da antiga concorrente.
“Eu acho que ela é um bom elemento para um reality show. Não gosto da forma como ela joga, mas precisamos de um jogador assim.”
A comentadora admitiu que jamais conseguiria jogar da mesma forma e relacionou essa intensidade com a decisão de não aceitar participar no formato: “Por isso mesmo é que eu não aceitei.”
Alexandra considera que existem limites que não devem ser ultrapassados, mesmo num programa que vive do confronto. Ainda assim, não tem dúvidas sobre a importância de personalidades capazes de desestabilizar a casa.
“Mas é um jogo de televisão, nós precisamos de concorrentes assim. Claro que é preciso uma pessoa divertida, é preciso um casal, é preciso aquelas peças, tem que ser diversificado.”
Para a comentadora, o “All Stars” poderá trazer um jogo especialmente duro: “A Catarina, claro que é uma peça fundamental, mas eu pessoalmente há coisas nela que eu não consigo aceitar. Mas cada um é como é e acho muito bem que ela deve entrar, que entrem mais Catarinas.”
Cristiana Jesus resumiu a utilidade televisiva destas figuras: “Nós precisamos porque dá-nos conteúdo também cá fora para comentar.”
Francisco Monteiro e Miguel Vicente também aquecem a discussão
Se Catarina Miranda divide o painel, Francisco Monteiro e Miguel Vicente também estão longe de reunir consenso.
Cristiana Jesus mostrou-se particularmente curiosa com a possibilidade de os três partilharem a mesma casa. A comentadora elogiou a capacidade de Francisco Monteiro para argumentar e destacou a forma como Miguel Vicente conduz os adversários até ao limite.
“Gosto muito da forma como o Francisco Monteiro joga, o Miguel Vicente é incrível no jogo que ele faz, independentemente de não ter aquele poder de argumentação a que nós estamos habituados num jogador. Mas a forma como joga, que os leva ao limite, é de uma forma brilhante, brilhante.”
Lídia apresentou uma leitura bastante menos favorável de Francisco Monteiro. A antiga concorrente acredita que a estratégia que lhe deu protagonismo poderá perder eficácia perante adversários com experiência semelhante.
“Ele pega muito em pessoas que acha que são inferiores ao jogo dele. Ele agora está a jogar com os maiores e o jogo de manipulação pode não correr tão bem.”
Luís Gonçalves também não escapou. Lídia acusou-o de alimentar polémicas no exterior para recuperar espaço televisivo: “Ele quer tanto, tanto palco que já está a fazer um bafafá todo cá fora.”
Caso pudesse escolher, a convidada preferia reencontrar Inês Morais e Bruno Savate dentro da casa. Alexandra Ferreira acrescentou David Diamond às contas, enquanto Cátia Palhinha foi recordada pelo humor e pelas expressões que ficaram ligadas à história dos reality shows.
Leandro rejeita dois nomes e pede Bruno Savate
Leandro Martins entrou na discussão com uma lista muito própria. O cantor explicou que acompanhou pouco o “Big Brother Verão”, devido ao trabalho e à necessidade de preservar a saúde mental depois da participação no “Desafio Final”, mas não teve dúvidas quando lhe perguntaram quem gostaria de rever.
“Gostava de ver o Bruno Savate. Para mim vai ser sempre o rei dos reality shows.”
A escolha positiva ficou por aí. Catarina Miranda e Miguel Vicente encabeçam a lista daqueles que Leandro preferia manter longe desta edição.
“Quem não gostava de ver seria, por exemplo, a Catarina Miranda ou o Miguel Vicente.”
A justificação surgiu sem qualquer tentativa de suavizar as palavras: “Pelo menos com a entrada deles, a ordinarice e a infantilidade vamos ter de certeza.”
Leandro terminou com um pedido simples à produção: “Acima de tudo quero ver concorrentes All Stars mesmo.”
É precisamente esta diferença de leituras que antecipa o tom da edição. Os concorrentes que uns consideram indispensáveis são os mesmos que outros rejeitam. E ainda ninguém entrou.
As pistas que deixaram os nomes quase à vista
Ao longo do “Em Família”, foram divulgadas três pistas sobre o elenco. A menos discreta parece apontar diretamente para Catarina Miranda.
O Big Brother anunciou: “Uma das minhas convidadas está de volta para reclamar um lugar que acredita ser seu.”
Com a voz distorcida, a concorrente apresentou-se sem falta de confiança:
“Já fui protagonista de momentos muito polémicos. Já me apaixonei, já chorei, já berrei. Desta vez, eu hei de fazer diferente e nada melhor do que um All Stars onde estão os melhores dos melhores para o fazer.”
A mensagem prosseguiu em tom de desafio:
“É verdade que nunca fui vencedora, mas convenhamos, às vezes não é preciso vencedores, é preciso lendas. Ainda tenho contas para acertar e muita gente vai desejar que eu nunca tivesse entrado dentro daquela casa. Apreciem o espetáculo, a rainha está de volta.”
Alexandra Ferreira e Cristiana Jesus associaram imediatamente a voz e o discurso a Catarina Miranda.
Outra pista apresentou uma mulher que viveu romances diante das câmaras: “Eu sou o Big Brother, uma das minhas convidadas já viveu histórias a dois diante das câmaras.”
A potencial concorrente contou: “Já participei em quatro reality shows e foi uma experiência incrível. Houve vários casais, fiz parte de um desses casais e foi um dos que as pessoas mais gostaram.”
E deixou um aviso: “Considero-me uma eterna criança, mas não me subestimem.”
Bernardina Brito, Sofia Sousa e Cátia Palhinha surgiram entre as hipóteses discutidas.
A terceira identidade permaneceu ainda mais fechada. O Big Brother limitou-se a anunciar: “Eu sou o Big Brother e vou abrir as portas a quem não sabe fazer nada pela metade. Nem competir nem provocar.”
A voz misteriosa acrescentou: “Quando quero sou uma pessoa muito irritante, mas, sem dúvida, dou muito conteúdo.”
Miguel Vicente e Márcia Soares foram alguns dos palpites lançados em estúdio.
Maria Botelho Moniz esclarece a nova dinâmica
As novidades não se ficarão pelo elenco. Uma declaração de Maria Botelho Moniz levou uma espectadora a questionar se as nomeações poderiam passar a servir para expulsar diretamente um concorrente.
A apresentadora rejeitou essa interpretação e explicou que se referia a um mecanismo capaz de alterar rapidamente a posição de cada participante no jogo.
“Não dei a entender nada disso. Disse apenas que vamos introduzir algo que, a qualquer momento, pode deixar alguém que está na mó de cima, na mó de baixo, e vice-versa.”
Os detalhes permanecem guardados para a estreia, mas a promessa aponta para uma edição menos previsível, na qual estatuto e poder poderão desaparecer de um momento para o outro.
Cândido Pereira ficou fora e não escondeu a tristeza
Enquanto se discutem os protagonistas que entrarão na casa, Cândido Pereira reagiu à ausência do seu nome no novo painel de comentadores. Um ano depois de chegar à TVI, o apresentador admitiu que atravessou dias difíceis.
“Pois bem, estou triste. Foi uma semana difícil, muito difícil. Valeu-me o apoio incondicional da Filipa, nunca me deixou cair.”
Cândido fez questão de travar qualquer rumor sobre problemas nos bastidores da estação.
“Vocês sabem o quão apaixonado eu sou pela televisão, o quão apaixonado eu sou por aquilo que faço (…) Para não haver a mínima margem para uma notícia falsa ou qualquer sururu, não houve qualquer mal-estar entre mim e a TVI, não houve qualquer mal-estar entre mim e nenhum colega.”
O apresentador vai afastar-se durante algum tempo para estar com a família e limpar a cabeça, mas não considera a porta definitivamente fechada.
“Não seria a primeira vez que um comentador entraria a meio de um programa, portanto também poderei vir a comentar o próximo. Agora, está tudo nas mãos de Deus.”
Apesar da desilusão, terminou com esperança: “Quando menos esperarem, o vosso miga está de volta (…) Estou tristinho, mas amanhã é sempre melhor do que hoje.”
As câmaras não apagam os limites
Com o regresso de antigos concorrentes, regressou também a discussão sobre aquilo que alguém aceita quando entra numa casa filmada durante 24 horas por dia.
Segundo a análise do advogado Pedro Nogueira Simões, a participação num reality show implica uma exposição invulgar, mas não representa uma renúncia ilimitada ao direito ao bom nome, à imagem, à palavra e à intimidade. Da mesma forma, a saída do programa não elimina as obrigações de confidencialidade assumidas contratualmente.
No fundo, a televisão pode mostrar quase tudo, mas esse “quase” continua a ser decisivo. Como sintetizou o advogado: “Até na casa mais vigiada de Portugal existem portas que a lei não permite abrir.”
O “Big Brother All Stars” estreia-se com jogadores experientes, egos consideráveis e histórias anteriores que não desapareceram com o fim das respetivas edições. Idevor Mendonça deixou a previsão mais simples para o que aí vem: “O parquinho vai pegar fogo lá dentro, vai pegar fogo cá fora, vai pegar fogo cá fora também.”
Pelo que se ouviu antes da estreia, o incêndio já começou.
