Terça-feira, Novembro 30, 2021

Campo Pequeno: José Cid com um dos melhores concertos do ano

Campo Pequeno: José Cid com um dos melhores concertos do ano, com duração de 2h30 e com uma qualidade irrepreensível.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: João de Sousa

A Praça de Touros do Campo Pequeno não esgotou a sua lotação, mas as filas eram enormes para nela entrar. As medidas em vigor (verificação do certificado de vacinação ou teste negativo à COVID-19) acabaram por provocar alguma demora e com isso o espectáculo começou 17 minutos após a hora marcada (21:47).

Mas a espera valeu a pena. No palco o ecrã gigante anunciava-se “José Cid– Um dos melhores concertos do ano” e se inicialmente poderia soar a presunção e até alguma arrogância, o tempo e o concerto vieram dar razão a tal discrição.

O tio Cid, como carinhosamente é tratado por muito do seu público, esteve mais controlado nas críticas que costuma fazer em cima do palco, e arrebatou o público com uma actuação intensa, sem tempos mortos, comunicando correctamente com a assistência e sem delongas excessivas.

Inicialmente contou com um momento de apresentação de Fernando Alvim e Diana Duarte, que nada acrescentou ao espectáculo, a não ser um momento de egocentrismo e algum humor muito pouco conseguido.

Mas rapidamente José Cid fez questão de tomar as rédeas do show e começou com um momento muito ternurento. Os músicos Carolina Deslandes e Diogo Clemente levaram o filho Benjamim a ver José Cid, tendo em conta que a criança gosta muito do artista. Antes do espectáculo, o menino teve oportunidade de falar com José Cid e receber um disco. E como se não fosse suficiente para alegrar o menino, José Cid foi mais além e abriu o concerto a interpretar o tema preferido da criança: ‘Velho Moinho’, alterando assim o alinhamento inicial.

O músico que conta com um percurso inigualável, vencedor de um Grammy, uma obra imensa e uma voz que se mantém qualitativamente superior, esteve francamente bem, suportado também em excelentes músicos e com um público que fez a festa do início ao fim.

E ao longo de duas horas e meia soube criar diferentes densidades no espectáculo, adaptou o alinhamento à durabilidade do concerto e nunca permitiu que achássemos que já estava a durar em demasia.

José Cid interpretou temas como “A Rosa que te dei”, “Cai Neve em Nova Iorque”, “Ontem, Hoje e Amanhã”, “Um grande, grande Amor”, “Menino Prodígio”, “Na cabana junto à praia”, “De mentirosos está o cemitério cheio” (com uma clara crítica política), “No dia em que o rei fez anos”, “A morrer de amor por ti” (um tema de 1981, mas que continua a ser um êxito e que os fãs recuperaram agora em força nas redes sociais), antes de fazer um agradecimento especial e mordaz ao mesmo tempo.

José Cid agradeceu à Antena 1, por transmitir o espectáculo, ao mesmo tempo que apontou mira a duas outras rádios: “Gostava também de tocar na Comercial ou RFM. Mas não tenho nível para tal”.

Posteriormente, voltou a mostrar língua afiada e arrasou por completo Bob Dylan, antes de muito elogiar José Afonso, de quem cantou “Milho Verde”, numa versão sua.

Até que chegámos a outros momento bonito, com uma homenagem à sua filha (que nesta noite se encontrava ali, mas com uma forte gripe, segundo o cantor), com Cid a cantar “Sonhador”, um tema com letra da sua descendente e musicada por si.

“No tempo feliz” é um tema biográfico sobre o dia-a-dia de José Cid e Gabriela Carrascalão, que agradou muito aos fãs, com o final do tema a ser selado por um beijo apaixonado dos dois em palco.

Neste noite especial contou com dois convidados: Mário Mata e Tozé Brito. Com o primeiro interpretou “Não há nada p’ra ninguém” e “Já conheço esse olhar” e com o segundo “A Lenda D’el Rei D. Sebastião”, “João Gilberto e Astor Piazzolla”, “20 anos” e “Nasci para a música”, seguindo-se depois “Se Chico Buarque me cantasse um fado”, ‘Sou Galego até ao Mondego” e “São Salvador do Mundo”.

Por entre os convidados, tempo ainda para “Coração de papelão”, “60 anos” (homenagem profunda à irmã) e “Rock dos bons velhos tempos”.

Até ao final do concerto tempo ainda para “Como o macaco gosta de banana”, um medley com “Na cabana junto à praia”, “Amanhã de Manhã” e “Um grande, grande amor” e uma apoteose de um público que estava preenchido, feliz e muito agradado com o que acabava de ver, ouvir e sentir.

A noite foi de José Cid. Uma noite em que teve um dos melhores concertos que lhe vi (e já são algumas dezenas). Uma noite em que muito pouco ou nada se lhe deve apontar.

Em palco esteve acompanhado instrumentalmente por Manuel Marques, Samuel Henriques, Pepe, Chico Martins e Amadeu Magalhães (que ressalve-se esteve gigante e assombroso, com momentos verdadeiramente apoteóticos).

José Cid esteve magistral, com uma grandioso concerto e o Campo Pequeno recebeu uma verdadeira festa de um dos ícones da música portuguesa! Noite grande!

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