
Carles Dénia edita “Mussol”, um EP digital com letras de poetas contemporâneos, sendo j+a conhecido o seu primeiro tema.
Como uma coruja, ave noturna que com os olhos muito abertos espreita quieta, escondida, observando todo o que a rodeia, sempre preparada para sair à caça de melodias, de letras que se converterão em canções. Foi este o espírito com que Carles Dénia criou “Mussol”, um disco de estúdio iniciado durante o confinamento de 2020 e a suspensão de espetáculos devido à pandemia da Covid-19, mas que a subsequente reativação da agenda de concertos o forçou a adiar até agora.
“Mussol”, que se distribuirá nas plataformas digitais em primeira instância, é um disco nascido do isolamento, das noites solitárias e silenciosas do estúdio do artista num fechamento colectivo, em que toca praticamente todos os instrumentos. “Tinha um desejo antigo de fazer um disco assim, encerrando-me no estúdio”, explica Dénia. “Queria conservar o espírito das maquetas, a ideia original das cancões, porque as maquetas muitas vezes têm uma magia especial, fresca”, acrescenta.
A coruja, na solidão da noite, leu tudo o que lhe caía nas mãos, capturando e alimentando-se dos poemas que na sua cabeça se transformam em canções. “Poema per a la nit de Cap d’Any” (“Poema para a noite de fim de ano”), do valenciano Ramon Ramon (“uma catedral de poema, que me deu asas”, diz Dénia), é o primeiro tema que sairá nas plataformas digitais a 16 de dezembro. A cada mês seguir-se-ão outros temas com letras do mesmo Ramon Ramon, de Eduard Marco, de Josep Piera… todos autores contemporâneos valencianos. Dénia também recupera “La cançó del llaurador” (“A canção do fazendeiro”), uma versão de Ovidi Montllor criada para o documentário “Per molt que bufe el vent” (“Por muito que sopre o vento”), e volta a gravar também uma versão ampliada de “Del destí en tinc prou de saber”, canção incluida como Bonus Track no seu muito premiado disco “El paradís de les paraules” (Comboi Records, 2011), com letra do poeta andaluz Ibn Yanniq adaptada por Josep Piera.
O disco inclui ainda o tema “Els amics de tristors” (“Os amigos da tristeza”) de Eva Dénia. “Acho que e a canção mais bonita que a minha irmã fez, com melodia e harmonia muito redondas, com essa simplicidade tão difícil de encontrar… coisas simples e despidas, e é um poema muito bonito de Maria Beneyto“.
Ao contrário dos seus anteriores discos, como “Cant Espiritual” de Ausiàs March ou “El paradís de les paraules”, cujos espectáculos continuam activos, “Mussol” não será um espectáculo diferenciado, não tem um conceito de espetáculo ao vivo particular (pelo menos de momento) nem um fio condutor unitário. “É um disco de repertório, com canções que quero interpretar em diferentes formatos e ocasiões”. É o prazer de fazer canções com total liberdade, a paixão de caçar melodias na solidão da noite.
O dia de saída de cada tema será anunciado na página oficial do artista e nas suas redes sociais.
Após o lançamento de todas as canções, o disco será editado em vinil.




