
‘Oda apatxe a València’, o novo single de Carles Dénia, já disponível em todas as plataformas digitais.
Um canto desgarrador à cidade de Valencia, um poema cru e descarnado. “Oda apatxe a València”, do poeta Ramon Ramon Raga (Catarroja, 1970), é a letra que serve o novo single do disco “Mussol” (Coruja) de Carles Dénia, que edita hoje, 10 de Fevereiro, em todas as plataformas digitais. Com este tema, já são três as canções publicadas do novo disco do músico valenciano.
Ser en rambla d’asfalt i urbanitzada
corbs arrreu esperant carronya meua
gossos ser molt millors que ànima apatxe
i embrutar mocassins de merda cara.
(Estar num calçadão de asfalto urbanizado/corvos ao redor esperando a minha carne/cães são melhores que alma apache, e a sujar mocassins de merda cara)
Carles Dénia
Assim começa o poema de Ramon Ramon (publicado em Cor desmoblat, 2004). Um recém-chegado à capital valenciana, proveniente de uma aldeia, que se sente estranho e decepcionado numa metrópole agressiva e hostil, narra a sua experiência, especialmente nos ambientes noturnos e marginais da cidade. E fá-lo da maneira como falam os índios dos antigos western, em dobragem televisiva e cinematográfica, com verbos no infinitivo, e com o mesmo espírito: os nativos submetidos pelos colonos.
“Oda apatxe a València é um poema duro, com uma linguagem muito incómoda”, explica Carles Dénia, “que fala do contraste entre o mundo rural e uma Valencia urbana muito rançosa, a preto e brancoo, e de desenraizamento e marginalidade”.
“Mussol” é um disco que Dénia iniciou durante o confinamentod de 2020.
Fechado no seu estúdio e rodeado de instrumentos, começou a “caçar” poemas contemporâneos na solidão das noites. Antes de “Oda apatxe a València”, Dénia publicou já neste álbum, outra canção com letra de Ramon Ramon, “Poema per a la nit de cap d’any”, e uma segunda com letra do tambén poeta valenciano Eduard Marco, “Puc veure a través”. Todas estão já disponíveis nas plataformas digitais.




