Caso “Uber da Droga”: José Carlos Pereira, Marta Gil e Jorge Fonseca citados em investigação de tráfico, segundo foi revelado.
José Carlos Pereira, Marta Gil e Jorge Fonseca foram citados nas informações divulgadas sobre o caso conhecido como “Uber da Droga”. A investigação desmantelou uma rede de tráfico de estupefacientes que operava na Grande Lisboa e era liderada por Nuno Ricardo Nogueira dos Santos.
A notícia veio a público esta segunda-feira, 8 de junho, depois de o Observador avançar detalhes sobre escutas telefónicas e uma lista de clientes que incluía figuras públicas, profissionais de várias áreas e ex-concorrentes de reality shows.
Rede foi condenada no final de maio
Segundo as informações divulgadas, o caso chegou ao fim em tribunal no final de maio. A sentença foi lida no Campus de Justiça, em Lisboa, no dia 28.
Nuno Ricardo Nogueira dos Santos foi condenado a cinco anos e seis meses de prisão efetiva. O principal arguido estava detido no Estabelecimento Prisional de Lisboa desde 28 de novembro de 2023.
Nessa noite, foi apanhado pela PSP à porta de casa com centenas de comprimidos de MDMA, selos de LSD, cocaína, cetamina, 2C-B e material de acondicionamento.
Além disso, Leonel Nhaga, apontado como parceiro de Nuno Ricardo, foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão, com pena suspensa. A mãe do principal arguido, Lucinda Santos, recebeu uma pena suspensa de quatro anos e três meses.
José Carlos Pereira identificado em chamadas
De acordo com o Observador, José Carlos Pereira terá sido identificado através de interceções telefónicas com o principal arguido. O ator ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso e não respondeu aos pedidos de esclarecimento daquele jornal.
O Correio da Manhã revelou depois novos detalhes sobre uma alegada chamada. Segundo o jornal, o telefonema terá ocorrido antes das 10h00, quando José Carlos Pereira seguia na A5, em direção a Lisboa.
Nessa chamada, o ator terá tentado marcar um encontro com Nuno Ricardo. Pelas 10h21, terá voltado a ligar para perceber onde o principal arguido se encontrava.
Apesar de ter sido identificado nas interceções, José Carlos Pereira foi dispensado de depor em tribunal.
Marta Gil nega envolvimento com a rede
Marta Gil também surgiu associada a conversas da investigação. Segundo o Observador, a atriz terá sido referida em pelo menos onze chamadas ao longo de três meses.
No entanto, Marta Gil negou qualquer envolvimento com a associação criminosa. Em tribunal, garantiu que não comprou droga a Nuno Ricardo e afirmou desconhecer a atividade de tráfico do amigo.
A atriz terá admitido apenas consumo pontual de haxixe. Quando foi questionada sobre o significado da expressão “aquele clássico”, explicou que a usava “quando precisava de desabafar”.
Além disso, Marta Gil afirmou que José Carlos Pereira não teria qualquer atividade de tráfico.
Advogado de Jorge Fonseca afasta ligação à rede
O nome de Jorge Fonseca também foi mencionado nas informações divulgadas. O judoca olímpico, medalhado em Tóquio, terá surgido numa chamada telefónica com Leonel Nhaga.
Segundo foi noticiado, nessa chamada terá sido usado o termo “pastilhas”. No entanto, o advogado do atleta já negou qualquer ligação de Jorge Fonseca à associação criminosa.
A defesa explicou que o judoca estaria alcoolizado e que acabou por não consumir qualquer substância. Noutra versão divulgada, o advogado garantiu que Jorge Fonseca desistiu de uma eventual compra de ecstasy depois de refletir sobre a decisão.
Lista incluía figuras públicas e vários profissionais
A lista de clientes atribuída à rede incluía ainda ex-concorrentes de reality shows, funcionários da TAP, médicos, empresários e engenheiros informáticos, entre outros profissionais.
Alguns dos contactos identificados durante a investigação foram chamados a depor em tribunal.
Segundo as informações divulgadas, a PSP acompanhou durante cerca de um ano a operação de distribuição de estupefacientes, que abastecia clientes na região de Lisboa.
No decorrer da investigação, foram apreendidos vários tipos de droga, incluindo MDMA, LSD, cocaína, cetamina e 2C-B, além de material de acondicionamento e dinheiro em numerário.
Tribunal apontou reconhecimento social como motivação
O percurso de Nuno Ricardo foi descrito no acórdão como uma passagem de consumidor a líder de uma rede organizada. O tribunal referiu ainda um historial pessoal marcado por violência doméstica, homicídio do pai aos 17 anos e regresso ao consumo após a pandemia.
De acordo com o acórdão citado nas notícias, além do lucro, o principal arguido seria movido pelo reconhecimento social obtido junto de figuras mediáticas.
Assim, o caso “Uber da Droga” ganhou uma dimensão pública acrescida não apenas pelas condenações, mas também pelos nomes conhecidos que surgiram nas escutas e na lista de contactos da investigação.

