Gustavo Santos provoca polémica sobre obesidade e recebe resposta dura no Passadeira Vermelha, da SIC Caras.
Comentário sobre excesso de peso gera forte reação
Gustavo Santos voltou a provocar debate nas redes sociais. Desta vez, o escritor publicou uma reflexão sobre obesidade, saúde e escolhas pessoais.
Entretanto, as palavras rapidamente chegaram ao “Passadeira Vermelha”, da SIC. Joana Latino e Carolina Ortigão reagiram com críticas duras ao discurso do autor.
Na publicação, Gustavo Santos rejeitou a ideia de que o excesso de peso possa ser associado a bem-estar.
“As pessoas que estão gordas não são mais felizes, são mais doentes. Gordura não é formosura, é inflamação“, escreveu.
Depois, o escritor apontou responsabilidades individuais e criticou hábitos que, no seu entender, mantêm a doença.
“E se há alguém que não gosta delas, não sou eu, são as próprias, que ou não querem saber e mantêm os mesmos hábitos (…) ou ao quererem saber escolhem o caminho mais fácil, uma picada diária“, acrescentou.
Gustavo Santos critica medicação para emagrecer
Além disso, Gustavo Santos deixou críticas ao uso de medicamentos injetáveis para perda de peso. O tema tem estado no centro de várias conversas públicas.
Para o autor, estes métodos tratam a aparência, mas não resolvem o problema que considera estar na origem.
“Tratam da aparência ao mesmo tempo que vão destruindo cada vez mais a própria saúde, em vez de curarem a alma, esse sentimento brutal de escassez que viveram, escassez de paz, de segurança, de afeto“, afirmou.
Ainda assim, terminou a mensagem com uma nota dirigida a quem procura mudar de vida.
“Aproveito também para dizer um grande ‘bem haja‘ às pessoas que estão gordas e que estão a acordar. O vosso exemplo pode ajudar a reverter inúmeras doenças (…) e até salvar-lhes a vida“, escreveu.
Por fim, fechou a publicação com a expressão: “Um forte abraço e acorda, Portugal!“.
Joana Latino acusa Gustavo Santos de “terrorismo psicológico”
Contudo, no “Passadeira Vermelha”, Joana Latino mostrou-se profundamente crítica. A comentadora afirmou que estudou o tema para responder ao escritor.
“Senti-me aqui na obrigação de estudar, tomar notas, para ter todos os pontos aqui para elencar perante a ignorância, a desinformação, a cabotinice deste homem“, atirou.
De seguida, Joana Latino classificou o discurso de Gustavo Santos como perigoso para quem vive com excesso de peso.
“O que ele está aqui a fazer é pura e simplesmente terrorismo psicológico sobre as pessoas que têm o que ele acha que é peso a mais“, afirmou.
A comentadora defendeu que a obesidade não pode ser reduzida a falta de vontade. Além da genética, referiu hormonas e dificuldades económicas.
Depois, deu um exemplo ligado ao custo da alimentação saudável.
“Com a crise que estamos a viver, faz com que, para alimentar uma família, às vezes grande, seja necessário comprar comida ultraprocessada (…) com dois pacotes de bolachas, que custam um décimo de um abacate, consegue-se alimentar a família toda“, disse.
“Ser gordo é uma escolha” gera indignação
Entretanto, Joana Latino acusou Gustavo Santos de transformar o corpo numa espécie de escala moral.
“Achar que ser gordo é uma escolha é resumir isto a uma hierarquia de moral (…) Portanto, as pessoas incríveis na vida são as magras, todas as outras vão descendo na escala de relevância na sociedade. Isso é uma falácia monumental“, declarou.
Mais tarde, a comentadora terminou a intervenção com uma frase particularmente dura.
“Começam a acreditar que ser gordas é culpa delas. Isso é um disparate pegado. Ser burro é que é culpa própria. Portanto, faça favor de tratar disso“, rematou.
Carolina Ortigão partilha luta pessoal contra a obesidade
Também Carolina Ortigão reagiu no “Passadeira Vermelha”. A comentadora falou a partir da sua experiência pessoal e rejeitou a ideia de que a obesidade seja uma escolha.
“Ser gordo não é uma opção. Ser gordo é de facto uma doença. A obesidade é uma doença e o obeso de facto não é feliz“, começou por dizer.
Depois, Carolina explicou que a sua luta contra o peso durou décadas. A comentadora contou que tentou vários caminhos antes de encontrar ajuda eficaz.
“Fiz tudo o que possam imaginar para combater a obesidade. Tentava alimentar-me bem, fazia desporto, fui a todos os médicos. Mutilei o meu corpo, fiz três cirurgias, pus duas bandas gástricas e a última fiz um sleeve. Nenhuma delas funcionou“, desabafou.
Carolina defende acompanhamento médico
Por outro lado, Carolina Ortigão contrariou a visão negativa sobre a medicação injetável. Para a comentadora, esse tratamento teve um impacto decisivo.
A comentadora afirmou que “as canetas vieram salvar-me a mim e a biliões de pessoas no mundo inteiro“.
Além disso, criticou a forma simplista como, na sua opinião, muitas pessoas olham para quem tenta emagrecer sem sucesso.
“O Gustavo não sabe o que é ir a muitos nutricionistas. Vai um nutricionista mandar-nos comer cozidos, grelhados, frutinha e ir para o ginásio. A pessoa vai, está três meses naquilo e perde um quilo“, exemplificou.
Apelo final aos espectadores
Por fim, Carolina Ortigão deixou uma mensagem direta a quem sofre de obesidade. A comentadora pediu que estas pessoas não sejam influenciadas por discursos que considera ofensivos.
“As pessoas que me estão a ouvir não se deixem confundir com este tipo de discursos“, alertou.
Depois, recomendou acompanhamento especializado.
“Vão a um endocrinologista, ele vai ajudar-vos, porque hoje em dia, felizmente, há novas formas de conseguirem perder peso. Não é através deste discurso (…) Isto é treta“, concluiu.




