Julgamento de Nuno Homem de Sá arranca à porta fechada e divide opiniões no “Tarde das Estrelas”

Julgamento de Nuno Homem de Sá arranca à porta fechada e divide opiniões no “Tarde das Estrelas”, da CMTV, esta tarde.

O início do julgamento de Nuno Homem de Sá, no Tribunal de Torres Vedras, marcou a atualidade mediática esta terça-feira. O tema dominou o programa “Tarde das Estrelas”, da CMTV.

Em análise esteve o primeiro dia de audiências do processo de violência doméstica. Além disso, foram avaliadas as atitudes do ator e de Frederica Lima.

Debate televisivo analisa postura das partes

Desde logo, Daniel Nascimento explicou a decisão de Frederica Lima de não estar na mesma sala que o arguido. O comentador recordou que essa possibilidade está prevista na lei.

Nesse contexto, esclareceu: “a prerrogativa de uma vítima solicitar que o alegado agressor não esteja presente na sala é uma prerrogativa que está na lei, portanto não é uma coisa que alguém invente. A juíza pode também decidir por aí, a pedido da vítima, para evitar qualquer tipo de confronto e qualquer tipo de reação por parte da pessoa que está a ser acusada e que aquilo descambe dentro do tribunal”.

Por outro lado, Daniel Nascimento criticou a atitude pública do ator à entrada do tribunal. E foi claro na avaliação que fez.

Assim, afirmou: “Em relação à postura do Nuno Homem de Sá, é isto que acontece sempre, essa postura de estar a falar e estar com um sorriso irónico. Eu acho que se eu estivesse a ser acusado de violência doméstica, a última coisa que eu estaria a fazer era rir-me a falar sobre isso. Ou a sorrir, ou a tentar ser irónico, ou qualquer tipo de postura que pudesse levar-nos a pensar alguma coisa”.

Ainda assim, sublinhou que a relação foi marcada por toxicidade. Contudo, ressalvou que isso não elimina a eventual existência de agressor e vítima.

Acusações graves e leitura da opinião pública

Entretanto, Jéssica Antunes abordou o impacto da imagem pública do ator. A ex-concorrente do Big Brother sugeriu que essa perceção pode estar a ser utilizada no processo.

Dessa forma, considerou: “Eu acho que, neste caso, ela própria está a tirar partido da ideia que as pessoas têm do Nuno Homem de Sá. Porque ela faz aqui acusações realmente muito graves, a ser verdade, são coisas realmente muito graves, mas também sabemos que ela estava e esteve durante vários anos em relações abusivas, em relações tóxicas, e que isso depois pode ter fomentado aqui mais o querer vingar-se de todas as relações que teve”.

Além disso, aprofundou o seu ponto de vista. E deixou uma posição mais ampla sobre responsabilidades.

Assim, acrescentou: “Não estou aqui a defender ninguém, a atenção, se isto for confirmado, eventualmente, é algo mesmo muito grave, mas o que eu quero dizer é que aqui eu acho que existem dois culpados, por assim dizer, e ele também já veio aqui dizer em praça pública que ela também o maltratava, que ela também lhe batia. O facto de ele ter comportamentos passivo-agressivos perante a sociedade, e mesmo no próprio Instagram, comportamentos que não abonam neste tipo de situações, faz com que ela tire partido disso para esta situação em específico”.

Dúvidas sobre julgamento à porta fechada

Por sua vez, Paulo Batista mostrou perplexidade perante a decisão de realizar o julgamento sem público. O comentador recordou a exposição mediática anterior do caso.

Nesse sentido, questionou: “A Frederica Lima fez-se valer sempre das redes sociais, das notícias, para todo o tipo de manifestação que fez em relação ao caso. Hoje, que tem tudo para mostrar, tem tudo para ser público, porque o julgamento é à porta aberta, exige porta fechada. Eu aceito que ela exija não querer ver o suposto arguido. Tudo bem. Agora, fechar o julgamento até à decisão final, deixa-me baralhado. Mas ela quis mostrar tanto, quis provar tudo, e agora que pode fazê-lo no sítio certo, quer fechar a porta”.

Além disso, foi mais longe ao levantar um cenário hipotético. E deixou uma reflexão sobre uma eventual absolvição.

Assim, afirmou: “E se for uma cilada terrivelmente montada? Se for mentira, o comportamento dele não foi assim tão desajustado, sendo uma mentira crassa. Custa-me acreditar que alguém tenha também a maldade de fazer isto, mas supondo que o julgamento dá numa absolvição do arguido. É assustador, não é? Onde é que está o comportamento passivo-agressivo? Será que ele não foi muito cauteloso e muito calmo, tendo em conta a barbaridade da acusação?”.

O que está em causa no processo

O julgamento arrancou a 24 de fevereiro de 2026. A primeira sessão ficou marcada pelo silêncio inicial do arguido e pelas declarações de Frederica Lima.

Recorde-se que o Ministério Público deduziu acusação por violência doméstica, violação de domicílio e perturbação da vida privada. Alguns crimes inicialmente investigados ficaram de fora por prescrição do direito de queixa.

Entretanto, a defesa, representada por Alexandre Guerreiro, garante estar confiante no desfecho. O advogado afirmou estar “plenamente convicto” da inocência do cliente. E acrescentou que, de 368 factos descritos na acusação, “se calhar 10 são verdadeiros”.

Segundo a estratégia anunciada, as mensagens trocadas entre o ex-casal poderão assumir papel central. A defesa sustenta ainda que a queixa resulta de um ato de vingança.

Para já, o caso segue para as próximas sessões, num processo que continua a gerar forte atenção mediática.

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