Pedro Chagas Freitas defende o elogio sem vergonha: “uma palavra boa não tem de ser poupada”

Pedro Chagas Freitas defende o elogio sem vergonha: “uma palavra boa não tem de ser poupada”, afirmou o escritor.

Escritor partilhou reflexão nas redes sociais

Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para deixar uma reflexão sobre o elogio, a bondade e a forma como muitas pessoas evitam dizer o bem que reconhecem nos outros.

Na publicação, o escritor começou por responder a quem considera que elogia demasiado. Em vez de recuar, assumiu essa característica como parte da sua forma de estar.

“Há quem às vezes me diga que elogio muito, que tenho um elogio fácil. Não sei como elogiar quem diz isto.
Podem ter razão.”

Depois, Pedro Chagas Freitas ligou essa visão a uma experiência pessoal marcante. O escritor recordou os meses que viveu dentro de um hospital com o filho e explicou que passou a olhar de outra forma para o bem escondido no quotidiano.

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“Desde que vivi meses dentro de um hospital com o meu filho, percebi que há demasiado bem escondido por aí. Vivemos obcecados com o mal. O algoritmo gosta do mal, as notícias gostam do mal. O mal faz barulho, tem orgulho na sua miséria. O bem tem vergonha de si, faz o que tem a fazer e vai-se embora.”

“A bondade é contagiosa”

A partir dessa experiência, Pedro Chagas Freitas defendeu que o elogio não deve ser visto como excesso. Pelo contrário, considera que reconhecer o bem nos outros pode criar um efeito de contágio.

“Eu acho que devia ser ao contrário.
Eu quero elogiar. Eu preciso de elogiar. Elogio tanto, tanto. Quando alguém oferece luz, quero iluminá-lo como puder, quero que todo o mundo o veja. Acredito que aprendemos todos muito mais por contágio do que por obrigação.
A bondade é contagiosa.”

Ainda assim, o escritor reconheceu que há quem veja o elogio frequente como algo que o torna menos especial. Pedro Chagas Freitas discorda dessa ideia e aponta o dedo à falta de carinho partilhado.

“Há quem ache que elogiar demasiado banaliza o elogio; eu acho o contrário.
O que banaliza a vida é a avareza afectiva, a economia do carinho.”

O valor de dizer o bem a tempo

Na mesma reflexão, Pedro Chagas Freitas foi mais longe e defendeu que uma palavra boa pode ter impacto real na vida de alguém. Para o escritor, elogiar não diminui quem o faz.

“Uma palavra boa não tem de ser poupada. Admirar alguém não nos diminui; aumenta-nos, aumenta o planeta, salva dias, pode até salvar pessoas. Há dias em que uma palavra salva mais do que um comprimido: impedir alguém de desistir é uma forma muito bonita de cuidar.”

Além disso, o autor sublinhou a importância de agradecer e demonstrar amor enquanto as pessoas ainda podem ouvir essas palavras. A gratidão, defende, não deve chegar apenas tarde demais.

“Agradeço sem vergonha. Digo às pessoas o bem que fazem enquanto ainda o podem ouvir. Não quero que a gratidão, que o amor, seja um ramo de flores em cima de uma campa.”

“Sou viciado em elogiar”

Por fim, Pedro Chagas Freitas assumiu sem reservas a sua vontade de ampliar quem faz bem. A mensagem terminou com uma imagem forte sobre a falta de palavras boas no momento certo.

“Se encontro alguém bom, digo-lhe. Se encontro alguém bonito, profundamente bonito, quero ampliar-lhe a existência, quero apontar para quem faz bem.
Sou viciado em elogiar.
Há demasiada gente a morrer de sede ao lado de pessoas que nunca abriram a garrafa.”

Assim, a publicação deixou uma ideia central: elogiar pode ser uma forma de cuidado. Para Pedro Chagas Freitas, guardar palavras boas não protege nada. Apenas adia aquilo que, muitas vezes, alguém precisava de ouvir.

Veja a publicação AQUI.

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