Pedro Chagas Freitas defende o valor do banal e critica rankings das escolas: “Medem-se em felicidade”

Pedro Chagas Freitas defende o valor do banal e critica rankings das escolas: “Medem-se em felicidade”, afirmou.

Pedro Chagas Freitas voltou às redes sociais com duas reflexões de forte impacto emocional e social.

Num dos textos, o escritor pediu aos seguidores que valorizem os momentos simples da vida, aqueles que tantas vezes passam despercebidos. Noutro, criticou a forma como as escolas são avaliadas, defendendo que a felicidade deve contar mais do que os rankings.

Apesar de partirem de temas diferentes, as duas publicações têm um ponto comum: a recusa de uma vida medida apenas por metas, resultados ou grandes acontecimentos.

O apelo ao quotidiano que passa despercebido

Na primeira reflexão, Pedro Chagas Freitas começou por deixar uma frase curta, repetida ao longo do texto como uma espécie de chamada de atenção.

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“Aproveita o banal.”

Depois, o escritor concretizou o que entende por esse “banal”. Não fala de grandes momentos, nem de conquistas raras. Fala daquilo que acontece todos os dias e que, por isso mesmo, tantas vezes deixa de ser visto.

“As coisas pequenas, minúsculas, ir ao supermercado com quem amas, a mão dada com o filho à saída da escola, a mão da mãe com rugas na tua, o abraço apertado do pai, o interior dos ombros de quem te acolhe, a casa cheia de pessoas que queres contigo, o sofá simples, ver os desenhos animados em família.”

A ideia regressa logo a seguir, como se Pedro Chagas Freitas insistisse na urgência de olhar melhor para o que já existe.

“Aproveita o banal.”

A vida que se repete também pode ser extraordinária

Depois, o escritor alargou a reflexão ao que se repete. Para Pedro Chagas Freitas, a rotina não deve ser confundida com ausência de beleza.

“Aquilo que se repete muitas vezes, aquilo que vives todos os dias, ou quase, mas que não deixa de ser espantoso, a magia de um pássaro que voa sem bater as asas, as folhas que caem da árvore levemente, devagar, a beleza da chuva a cair na terra, o cheiro na cozinha antes do jantar, o pequeno-almoço apressado já com saudades daqueles de quem nos despedimos, as piadas no escritório, os pequenos problemas que nos tiram do sério tantas vezes, a fraqueza que às vezes aparece.”

Mais uma vez, voltou ao refrão da publicação.

“Aproveita o banal.”

Nesse ponto, a mensagem passou a tocar numa ansiedade muito comum: a de adiar a felicidade para uma data, uma promoção, uma viagem ou uma mudança de vida.

“Não queiras passar a vida à espera.”

Depois, Pedro Chagas Freitas foi mais longe.

“Não fiques à espera de sexta-feira para seres feliz, não fiques à espera das férias para ser feliz, não fiques à espera de ser promovido para ser feliz, não fiques à espera de ter o melhor carro, a melhor casa, para ser feliz.”

“A vida acontece no intervalo”

Na mesma publicação, o escritor deixou uma das frases centrais do texto.

“A vida acontece no intervalo, nessas esperas em que te perdes.”

Assim, Pedro Chagas Freitas defendeu que a vida não está apenas nos momentos excepcionais, mas também naquilo que parece simples ou repetido.

“A vida está naquilo que parece repetitivo, que parece normalzinho, e é, e não é por isso que deixa de ser extraordinário.”

Depois, voltou a insistir.

“Aproveita o banal.”

O tom tornou-se mais urgente na parte final da reflexão.

“Não esperes mais, não adies mais, olha mais, sente mais, vive mais, o que tens como garantido.”

Por fim, Pedro Chagas Freitas deixou um aviso sobre a fragilidade daquilo que se julga seguro.

“Quando porventura deixar de estar garantido (porque as doenças acontecem, porque a idade acontece, porque a puta da perda acontece), é garantido que vais arrepender-te.”

A publicação terminou com um apelo directo.

“Não sejas essa pessoa.”

“Não esperes mais.”

“Aproveita o banal.”

Escolas, rankings e felicidade

Na segunda publicação, Pedro Chagas Freitas mudou de tema, mas manteve o tom de intervenção.

Desta vez, o escritor escreveu sobre educação e criticou a forma como as escolas são avaliadas através de rankings.

Logo no início, deixou a posição clara.

“As escolas não se medem em rankings; medem-se em felicidade.”

Depois, acrescentou outros critérios que, na sua visão, devem pesar na vida escolar.

“E em emoção, e em sentimento, e em ligação, e em cumplicidade, e em criatividade, e em empatia, e em simplicidade, e em pessoas.”

A frase seguinte reforçou o centro da reflexão.

“Sobretudo isso: em pessoas.”

Crítica dura à obsessão pelos resultados

Pedro Chagas Freitas considerou que reduzir uma escola aos resultados académicos é um erro grave.

“Querer medir uma escola pelos resultados académicos é uma abominação, que só serve o interesse dos que, com isso, recebem publicidade gratuita.”

Depois, apontou para a necessidade de mudar a forma como se pensa o ensino.

“A evolução do ensino tem de entrar por aqui: tem urgentemente de entrar por aqui.”

Na mesma linha, defendeu que a escola não deve viver afastada da realidade.

“Tem de perceber que a escola tem de mudar, tem de olhar à volta, tem de ser um local do mundo e não fora do mundo; e tem, acima de tudo, de ser um local feliz, para o qual professores, alunos e todos os que nela trabalham vão de sorrisos nos lábios, e não como se se dirigissem para uma entediante, e injusta, obrigação: para uma cinzentona fábrica de transmissão de conhecimento.”

A escola do futuro tem de ser a escola de agora

No seguimento da reflexão, o escritor defendeu que não basta falar numa escola do futuro como se fosse um horizonte distante.

“A escola do futuro tem de deixar de ser a escola do futuro e passar a ser a escola do presente.”

Depois, Pedro Chagas Freitas explicou o que espera de uma escola verdadeiramente transformadora.

“A escola serve para criar seres pensantes, seres humanos plenos; e não, jamais, autómatos de resultados, prisioneiros de notas e de médias.”

Além disso, defendeu uma escola que incentive novas ideias.

“A escola tem de premiar a inovação; tem ela mesma de ser inovadora.”

Segundo o escritor, o erro não deve ser tratado apenas como falha.

“A escola tem de dar espaço à imaginação, ao erro; e não penalizá-lo severamente.”

O erro, a criatividade e a coragem de ser

Pedro Chagas Freitas ligou ainda o medo de errar ao bloqueio da criatividade.

“Quem tem medo de errar castra a criatividade, limita-se a replicar, a fazer o que outros fizeram.”

Para o escritor, a escola também deve servir para experimentar e tentar.

“A escola serve para isso, também para isso: para incitar à experiência, à tentativa, à coragem maior de sermos nós mesmos.”

Depois, sem negar a importância do conhecimento, defendeu que a curiosidade deve ter um lugar central.

“A escola deve formar pelo conhecimento, claro, mas também (diria que ainda mais) pela curiosidade.”

A publicação terminou com uma frase dura contra os rankings e uma defesa das escolas que dão liberdade.

“Por isso, bardamerda para os rankings; viva a felicidade das escolas que deixam voar.”

Por fim, Pedro Chagas Freitas deixou o elogio final a essas escolas.

“São essas que estão, todo o ano, de parabéns.”

Uma defesa da vida vivida por dentro

Entre o quotidiano familiar e o debate sobre educação, Pedro Chagas Freitas colocou o foco no mesmo lugar: a vida que não cabe em tabelas, resultados ou grandes marcos.

Num texto, pediu atenção ao banal. Noutro, pediu escolas mais humanas.

No fundo, as duas publicações lembram que há coisas essenciais que não se medem facilmente, mas que fazem toda a diferença: presença, felicidade, erro, curiosidade, amor e tempo.

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