Pedro Chagas Freitas deixa homenagem comovente a António Lobo Antunes no aniversário do escritor, no dia de ontem.
O escritor Pedro Chagas Freitas utilizou as redes sociais para assinalar o aniversário de António Lobo Antunes, celebrado ontem, 1 de setembro, com uma mensagem intensa e de grande admiração.
“Conseguiste fazer do sofrimento uma obra”
Na publicação, Pedro Chagas Freitas destacou o percurso literário de António Lobo Antunes, enaltecendo a forma como o autor transformou a dor em literatura. Assim, escreveu: “António, parabéns: conseguiste fazer do sofrimento uma obra. Nunca te chegarei aos calcanhares, nem ao dedo mindinho do pé. É uma distância sem medida.”
Mais adiante, reforçou a entrega de Lobo Antunes à escrita: “Tu entraste na dor como quem atravessa uma casa em chamas, decidiste ficar lá dentro a escrever, o fumo a encher-te os pulmões. Nunca aceitaste viver; escolheste escrever. Abdicaste da vida para escrever sobre ela.”
O peso e a densidade da obra
Na mesma mensagem, Pedro Chagas Freitas confessou não ter a mesma capacidade de isolamento e entrega absoluta que reconhece em Lobo Antunes. Sublinhou: “Eu nunca fui capaz. Continuo demasiado cobarde para me afastar do ruído mundano, da vida comum, preso à necessidade vulgar de existir, de ser mais do que as letras que se juntam na minha cabeça.”
Sobre o legado literário, acrescentou: “Tu entendeste que existir é pouco, quase nada. Sacrificaste tudo pela página por preencher. A tua obra tem uma densidade que nunca alcançarei.”
“Um escritor como tu é uma maldição necessária”
Na reta final da homenagem, o autor sublinhou o impacto da obra de Lobo Antunes para leitores em todo o mundo: “Um escritor como tu é uma maldição necessária. Ler-te é saber que não estamos sozinhos no desespero, que o vazio pode ser traduzido. Há uma beleza no interior dessa lama: uma beleza que morde, que arranha. Somos todos animais indomesticados.”
Por fim, assinalou a data de forma simples mas carregada de gratidão: “Hoje fazes 83 anos. Celebro-te com gratidão. Obrigado.”
Foto: D.R. / Facebook de Pedro Chagas Freitas
