Pedro Chagas Freitas denuncia falência da saúde mental em Portugal: ‘Há um psicólogo para cada 694 alunos’, lamentou.
O alerta contundente do escritor
O escritor Pedro Chagas Freitas voltou a usar as redes sociais para lançar um forte alerta sobre o estado da saúde mental em Portugal. Num texto direto e sem rodeios, o autor critica a falta de investimento e o desinteresse político pela área, apontando consequências graves para a sociedade.
Logo no início, Pedro Chagas Freitas denuncia a ausência de ação concreta. “Não se investe patavina na saúde mental. As políticas públicas fingem que agem. E depois vemos que há um psicólogo para cada 694 alunos”, escreveu.
“Ou tratamos a mente ou perdemos tudo”
Com palavras duras, o escritor sublinha o impacto do abandono das políticas públicas. “É assim que vamos continuar a ver filhos a matar pais, pais a odiar filhos, todos a culpar qualquer coisa que não seja a sua própria omissão”, lamenta.
De seguida, reforça a urgência de agir. “Temos de admitir: ou tratamos a mente ou perdemos tudo”, alerta, considerando que o país está a caminhar para um colapso emocional coletivo.
“Uma sociedade que desinveste na saúde mental cava a sua própria ruína”
Pedro Chagas Freitas afirma que o problema é estrutural e não simbólico. “É preciso dizer o óbvio: uma sociedade que desinveste na saúde mental cava a sua própria ruína. Não é uma metáfora: é literal”, defende.
Segundo o autor, a solução passa por medidas concretas e não por gestos superficiais. “Não se constrói segurança emocional sem estruturas, sem psicólogos, sem tempo, sem recursos, sem trabalho contínuo. Andamos todos a pintar murais sobre ‘resiliência’ em vez de pagar salários a quem poderia verdadeiramente impedir que o ódio cresça no lugar do amor”, critica.
“A saúde mental tornou-se num produto de marketing”
O escritor acusa ainda a sociedade de tratar a saúde mental como uma moda e não como uma necessidade real. “A saúde mental tornou-se num produto de marketing. Fala-se dela como se fosse uma campanha de verão. Há palestras, hashtags, eventos, slogans”, escreveu.
Contudo, aponta, a realidade é bem diferente. “Entretanto, as listas de espera continuam a aumentar, os hospitais continuam a improvisar, os profissionais continuam exaustos ou ausentes. O país faz powerpoints sobre cuidar da mente; as mentes implodem em silêncio”, denuncia.
“Os monstros não nascem do mimo; nascem do vazio”
Na parte final da publicação, Pedro Chagas Freitas sublinha que a origem do ódio e da violência está no abandono e na falta de cuidado. “O amor não cria ódio, nunca criou. O que cria ódio é abandono, desatenção, silêncio institucional, desinvestimento. Os monstros não nascem do mimo; nascem do vazio”, escreveu.
Por isso, defende medidas urgentes e consistentes. “Investir a sério em saúde mental não é criar cartazes com frases bonitas. É formar profissionais, contratá-los, dar-lhes tempo, condições, continuidade, estabilidade, consistência. É pôr psicólogos nas escolas, nos centros de saúde, nas empresas, nas ruas. É tratar a saúde mental como aquilo que é: uma questão de sobrevivência colectiva”, apelou.
O texto termina com um aviso contundente: “Isso faz-se com dinheiro, com convicção, com vontade genuína, com urgência. Há sempre alguém, algures, a preparar a próxima tragédia em silêncio”.
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