Pedro Chagas Freitas propõe comunicado “ideal” do Benfica após alegado caso de racismo com Vini Jr.

Pedro Chagas Freitas propõe comunicado “ideal” do Benfica após alegado caso de racismo com Vini Jr., na Luz.

O alegado caso de racismo envolvendo Vini Jr. continua a gerar reflexão pública. Desta vez, foi Pedro Chagas Freitas quem utilizou as redes sociais para partilhar a sua visão enquanto profissional da comunicação.

No texto publicado, o escritor parte da sua experiência para analisar o impacto das palavras em momentos de crise.

“Menos é mais” na comunicação de temas sensíveis

Logo no início, Pedro Chagas Freitas enquadra a sua posição:

“A minha vida profissional é, sempre foi, comunicar. Este caso do alegado racismo contra Vini Jr. fez-me pensar sobre o poder das palavras certas no momento certo. Fiquei com uma certeza ainda mais absoluta de algo que para mim já era absoluto: menos é mais.”

Além disso, reforça a importância da precisão na escolha das palavras:

“Sempre vi, desde que trabalhei em publicidade, cada palavra como decisiva. Se não for decisiva, não está lá a fazer nada, tem de sair. Cada vez mais, menos é mais. Dizer menos, escarafunchar menos, é a melhor receita para esvaziar algo tão frágil assim.”

Para o autor, o tema ultrapassa o futebol e exige outro tipo de abordagem.

Proposta de comunicado para o Benfica

Entretanto, como exercício, o escritor redigiu aquilo que considera ter sido o comunicado ideal do Sport Lisboa e Benfica após o incidente.

Segundo explicou, o objetivo seria “esvaziar” rapidamente a polémica. A proposta foi apresentada nos seguintes termos:

“COMUNICADO OFICIAL:
PONTO 1: O Sport Lisboa e Benfica não tolera e nunca tolerará racismo ou qualquer outro tipo de preconceito.
PONTO 2: Temos todas as garantias, da parte dos nossos atletas, de que não houve qualquer acto de racismo.”

Duas frases diretas, com menos de 40 palavras, como o próprio sublinha.

Crítica ao ruído mediático

Por outro lado, Pedro Chagas Freitas considera que tudo o que ultrapasse essa simplicidade contribui para alimentar tensão desnecessária.

Como escreveu:

“Sem ferir ou atacar ninguém, sem gerar ondas de opiniões, sem juízos de valor, sem invocar o passado, a respeitar a delicadeza do tema. Tudo o resto foi, e é, ruído e publicidade negativa. Tudo o resto só serviu, e serve, para alimentar ódios sem sentido de ambos os lados, de ambos os clubes, gerando até uma espécie de conflito institucional. Não havia necessidade.”

Por fim, conclui que bastaria uma afirmação clara de confiança nos atletas.

“Bastaria o clube afirmar, como é legítimo, que acredita nos seus atletas e na verdade que cada um deles contou. Ponto final. Ficou, pelo menos para mim enquanto profissional da escrita, essa lição.”

Assim, a publicação transforma um episódio desportivo num debate mais amplo sobre responsabilidade, comunicação e gestão de crise.

Veja a publicação AQUI.

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