Pedro Chagas Freitas reflete sobre preconceito e rótulos usando exemplo de Pamela Anderson, nas redes sociais.
“Temos todos etiquetas penduradas ao pescoço”
Pedro Chagas Freitas partilhou nas redes sociais uma reflexão sobre a forma como as pessoas são rotuladas e reduzidas a imagens simplificadas, utilizando o caso de Pamela Anderson como exemplo.
Logo no início, afirma: “Temos todos etiquetas penduradas ao pescoço, apertadas como cordas. A Pamela Anderson carrega a sua há décadas. Sempre foi a menina das Marés Vivas, um biquíni vermelho, um cabelo loiro, o silicone. É uma caricatura de si mesma. Para os outros, somos a nossa própria caricatura, feita de meia dúzia de traços repetidos até à demência. Ela e nós somos regularmente a radiografia perfeita do preconceito fácil.”
Entre a imagem pública e a realidade
O escritor conta que viu recentemente a atriz numa fase diferente da sua vida: “Vi-a recentemente, rugas expostas, olhar limpo, uma profundidade real. Está a tentar atravessar a distância abismal entre a imagem e a carne. Começam a olhá-la com outra densidade. Sinto-lhe a convicção de não deixar que a versão que os outros amam ou odeiam seja a sua sentença. Está a conquistar um respeito mais espesso, mais digno. Não é o respeito histérico das multidões, suspeito que esse já não lhe interesse, se é que alguma vez interessou; é o respeito com história, o respeito silencioso que se dá aos sobreviventes.”
Libertar-se das “fotografias” impostas
Por fim, Pedro Chagas Freitas deixa uma mensagem sobre coragem e autenticidade: “Estamos sempre a tempo de sermos vistos pelo que somos. Só temos de rasgar as fotografias com que nos embalaram. É preciso coragem para aguentar os anos de mal-entendidos, para suportar a tentação de aceitar a etiqueta que vende mais. Ser quem somos nunca foi confortável. Ainda bem.”
Foto: Facebook de Pedro Chagas Freitas

