A PSP retirou esta terça-feira, 20 de outubro, o acampamento pelo direito à habitação instalado no Rossio, em Lisboa, numa operação marcada por momentos de tensão e detenções. Os manifestantes decidiram desmobilizar durante a manhã, mas anunciaram o regresso à praça para as 19h00.
A intervenção policial pôs fim à permanência das tendas no Rossio, mas os participantes pretendem dar continuidade ao protesto. Depois de se reunirem em assembleia popular na Baixa de Lisboa, decidiram dispersar cerca das 08h30 e voltar ao final do dia para discutir os próximos passos.
“Vamos decidir às 19h00 se continuamos a acampada ou por qualquer outra forma de luta”, afirmou a porta-voz Priscila Valadão, após a reunião. O regresso ao Rossio foi também noticiado pela RTP. rtp.pt
Manifestantes formaram cordão humano após ordem para retirar tendas
Entre as 05h00 e as 05h15, agentes da PSP percorreram a praça e falaram com os participantes, dando-lhes cinco minutos para retirarem as tendas.
A ordem não foi acatada por parte dos manifestantes, que formaram um cordão humano. Pelas 06h00, a intervenção resultou na retirada de participantes e em várias detenções, com pessoas algemadas durante a operação.
O balanço noticiado aponta para 55 detidos, embora a informação da RTP consultada durante a manhã ainda não apresentasse um número oficialmente confirmado pelas autoridades. rtp.pt
Os detidos aguardaram na Praça da Figueira antes de serem encaminhados para uma esquadra. Durante o protesto, ouviu-se «Grândola, Vila Morena».
Recolha das tendas e limpeza da praça
Funcionários da Câmara Municipal de Lisboa foram chamados ao Rossio para recolher as tendas e limpar o espaço. Enquanto acompanhavam os trabalhos, manifestantes detidos gritaram “Façam greve”.
Os participantes contactaram também um advogado, que não quis identificar-se e que estava a recolher informações sobre os acontecimentos para posteriormente contactar as autoridades.
A operação ocorreu depois de o movimento ter decidido, durante a madrugada, manter a concentração, apesar dos avisos policiais sobre a possibilidade de uma retirada coerciva.
Acampada reivindica respostas para a crise na habitação
Sob o lema “Não dá mais? Então monta a tua tenda!”, a Acampada de Lisboa estava no Rossio desde sábado e defendia a continuidade da mobilização até obter respostas às suas reivindicações.
Em declarações à Lusa, António Tonga, um dos porta-vozes, descreveu uma “adesão crescente”, com a participação de “todo o tipo de pessoas”, e insistiu na necessidade de que as “reivindicações sejam atendidas”.
O porta-voz associou a mobilização à procura de “uma válvula de escape” perante as dificuldades sentidas pela população: “As pessoas sentem-se muito, muito presas.”
A decisão sobre a eventual reinstalação do acampamento, ou a adoção de outra forma de protesto, ficou remetida para o encontro das 19h00 desta terça-feira, no Rossio.
Leia também: João Carreira exige respostas sobre habitação: “Não é só para encherem os bolsos a quem já tem muitos milhões”
