Reportagem: Zambujo cantou Max e encantou as gentes de Sintra, na noite de ontem.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso
O Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, recebeu, esta sexta-feira, 17 de Fevereiro, António Zambujo e parte do cancioneiro de Max, nome maior da cultura musical portuguesa, e da Madeira em particular.
Sala cheia, apenas uns poucos lugares vagos (quiçá de convidados que faltaram a um grande concerto), ambiente quente e Zambujo e colocar ainda mais calor na alma e no coração de quem ali o foi ouvir.
Neste espectáculo, o intérprete alentejano informou de início que todos os temas aqui interpretados tinham a assinatura de Max, destacando a valia deste nome ímpar da música, desejando também que o público ficasse agradado com o que ali ia ouvir.
Acompanhado por André Santos, Francisco Brito, Bruno Ponte, Graciano Caldeira, Gustavo Paixão e Joel Silva, António Zambujo conseguiu executar um concerto com bastante classe, bom gosto e fazendo valer cada minuto do mesmo.
Zambujo tem a capacidade de nos trazer o vagar do Alentejo, num timbre só dele, com capacidade de transformar qualquer canção em algo seu, identitário, único.
Há muito que Zambas (nome pelo qual é carinhosamente tratado pelos amigos, outros preferem o Tozé, de António José) quebrou as barreiras nos géneros musicais pelo qual o repertório dos seus discos e concertos evolui.
Este espectáculo, António Zambujo canta Max, foi um pedido feito pelo director artístico do festival Santa Casa Alfama, José Gonçalez, ao seu colega e amigo. Estreou no ano passado e agora viaja pelas salas nacionais, para que outros públicos possam também ver, ouvir e aplaudir os temas que Maximiano de Sousa (conhecido por Max) compôs.
Max nasceu no Funchal em 1918, sendo filho de um pequeno comerciante e de uma doméstica. Porém, a sua vida levou-o em longas viagens, ora para Lisboa, ora por esse mundo fora.
Nas composições de Max destaca-se o seu lado cinematográfico, as canções representam o seu tempo, os modos e costumes das suas gentes, dos sítios por onde passou.
Os seus temas partem da música tradicional da Madeira, mas conta com influências de viras, corridinho, música da América Latina e claro, também o fado.
Tal como Zambujo, também Max passou pelo teatro. Max foi ainda mais longe e deu cartas no cinema.
Regressando a Zambujo, torna-se prazeroso assistir a um concerto seu, nesta sua fase da carreira. A elegância em palco, a harmonia e empatia com que brinda o público, os momentos de conversa, o humor com que de quando em vez vai entretendo e provocando o conclave, tudo é feito nos tempos certos.
Depois, a sua interpretação está num momento de maturidade em que a palavra, o compasso, os silêncios e a respiração estão numa conjugação plena e que lhe permite tornar cada interpretação em algo único.
O percurso de António Zambujo tem sido de constante descoberta, entre o passado e o presente e a cada novo passo, Zambujo deixa-nos a ideia de mais e melhor futuro.
Que supimpa noite, António!
[Best_Wordpress_Gallery id=”5189″ gal_title=”António Zambujo canta Max- Sintra- 2023-1″]Alinhamento:
Noites da Madeira
Chá Chá Chá de Lisboa
Noite / Já me deixou
Tens a mania
Sinal da Cruz
Porto Santo
Tingo Lingo Lingo
Júlia Florista
Nem às paredes confesso
Rosinha dos Limões
Vielas de Alfama
Maria / Casei com uma velha
A Coisa
Bate o pé
Pomba Branca
Ai Menina, Ai Ai
A Mula da Cooperativa
