Terça-feira, Abril 13, 2021

Ricardo Levesinho: “Acho fundamental que esta sociedade conheça a forma como a tauromaquia respeita o touro”

Ricardo Levesinho é, desde há 1 ano, o presidente da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos (APET). É também o gestor das praças de touros de Vila Franca de Xira, Chamusca, Moita e Figueira da Foz.

O empresário concedeu uma entrevista ao Infocul, na qual abordou várias temáticas em discussão na actualidade tauromáquica nacional.

BALANÇO DO 1º ANO COMO PRESIDENTE DA APET

Ricardo Levesinho começou por nos dizer que “é um balanço desafiante. Entrámos num ano em que o mundo virou. A COVID-19 veio alterar a forma que conhecíamos de viver. Vivíamos em liberdade e deixámos de viver. Vivemos com contingências completamente diferentes”.

Destaca que o que “queremos e lutamos de há 12 meses para cá é não sermos discriminados, sermos mais vistos, recuperar a tradição e defender a importância da sobrevivência da tauromaquia como identidade”, assumindo que tem “sido uma luta bem diferente daquilo que se perspetivava”.

Estaremos cá, cada vez com mais força se Deus quiser” e a “defender uma cultura que é muito nossa”.

Uma das primeiras premissas quando assumiu a presidência da APET era, passamos a citar, o “programa da nova direcção onde se destaca a gestão de comunicação (interna e com os meios e órgãos de comunicação), uma dinâmica de recuperação de praças inactivas com a organização de espectáculos classificados como apoio a jovens (garraiadas, variedades taurinas e novilhadas) , uma credibilização e modernização do sector tauromáquico e a promoção de visitas a ganadarias, toureiros e treinos de forcados de forma a apresentarmos à sociedade a nossa essência cultural identitária e a nossa história que merece respeito e conservação”, conforme comunicado na altura.

Sobre a comunicação levada a cabo, desde então, disse que “estamos longe, estamos longe [do perspectivado]. Temos um trabalho de casa feito, temos um site construído, temos uma linha de comunicação que queremos que funcione melhor, queremos que a comunicação para com os sócios funcione melhor”, mas realçou que “este foi um ano complicado para colocarmos em prática o nosso plano a 100%”.

COMO CAPTAR NOVOS PÚBLICOS

Quando questionado sobre o que farão os empresários do sector para captar novos públicos, tendo em conta que o público base da tauromaquia é envelhecido [embora haja muita juventude a aproximar-se], Ricardo revelou que “os dados de 2020 mostram que há um grande interesse nas corridas de touros, mesmo tendo em conta a limitação de lugares imposta pela pandemia. As pessoas querem corridas de touros, querem uma tauromaquia viva e aquilo que nós temos de fazer é promover isso e não deixar que isso deixe de acontecer”.

Para isso apostará “numa comunicação exterior. Ou seja, não apenas uma comunicação interna, mas sim exterior. O que quero é chegar às pessoas, novos públicos, novos aficionados, de forma que sintamos que o futuro esteja assegurado e seja nosso. Se nós nos limitarmos a sobreviver apenas com os aficionados presentes [actuais] claro que não há actividade cultural, económica, desportiva, social ou financeira que sobreviva”.

De modo a chegar aos novos públicos apostará na comunicação, mas também na informação. Sobre esta última parte, deu como exemplo a vontade em demonstrar que “a sociedade está cada vez mais urbana, ao invés de rural como nos anos 60, 70 e 80” e que esse facto leva a que a sociedade actual não conheça o mundo rural, seja pouco conhecedora da cultura de campo.

Não sabem como se faz a criação de um touro bravo. Quando falam na consciência animal e que estamos a infringir sofrimento ao animal, gostava que essas pessoas tivessem acesso a ver como é que um ganadeiro cria um touro durante quatro anos, as condições de vida majestosa que lhe são dadas. Acho fundamental que esta sociedade conheça a forma como a tauromaquia respeita o touro”, disse.

Acho que conseguirmos levar em frente os nossos projectos, em que uma das alíneas diz simplesmente “abrir as portas” e isso é simplesmente criar momentos e eventos que a sociedade, movimentos e cidadãos possam visitar as ganadarias e verificar o respeito que temos pela figura do touro”, exemplificou.

Acredita que isto “será um dos primeiros pontos de partida para sermos respeitados por uma sociedade cada vez mais moderna que respeita o que lhe colocam diante dos olhos, mas não respeita o que não conhece”, dando conta de que a “ignorância está a criar-nos problemas e daí ser essencial uma aposta na educação e na informação”.

E com esta iniciativa pretende também fomentar a criação dos aficionados de amanhã.

Reforçou ainda que “temos de apostar na informação e em publicidade! Publicitar estas visitas! Temos de fomentar e divulgar isto da mesma forma como incentivamos as idas às corridas de touros. As coisas têm de andar lado a lado. Temos de abrir os braços, deixar esta ideia de estarmos isolados e estar disponíveis para receber as pessoas. É fundamental! Também para termos um público exigente e conhecedor!”.

Ricardo, quando questionado sobre o timing em que esta proposta ser concretizada, disse que “pela APET já tinha sido o ano passado. Mas infelizmente as condições actuais em que nos encontramos não permite que isto aconteça. Mas desde meados de Setembro, Outubro de 2020 que temos todas condições criadas para que centenas de pessoas pudessem ter visitado as ganadarias e conhecerem a sua realidade. Estamos totalmente preparados para reactivar esse plano, que para nós é fundamental”.

MEDIDAS PARA A REALIZAÇÃO DE ESPECTÁCULOS TAUROMÁQUICOS EM 2021

Hoje são anunciadas as medidas para o desconfinamento da actividade social e empresarial, após o segundo confinamento.

Relativamente à tauromaquia e à lotação dos tauródromos, Ricardo Levesinho disse que “apresentámos alguns pilares, quer à parte técnica de saúde (DGS) como também à IGAC, durante as muitas reuniões que já tivemos, a última inclusive foi hoje [ontem]. Há vários itens que apresentámos e que estamos a tentar que sejam aprovados. Desde logo, a abertura do sector ao mesmo tempo dos restantes sectores culturais. Acho que é completamente justo! Por vários motivos, desde logo respeito e não-discriminação. Em segundo lugar, pelo facto de termos provado sermos um sector 100% confiável, tendo em 2020 mostrado ao país a capacidade de organizarmos espectáculos em segurança. Não tivemos qualquer informação de um foco ou surto de COVID-19, resultante de uma corrida de touros. Todos os planos de contingência foram cumpridos”.

Pretende ainda que “se acabe com as limitações a 30% da lotação das praças de touros. As limitações a 50% já são um peso muito grande e temos todas as condições para que as praças possam abrir com limitação a 50%. Isto permite por um lado aumentar a lotação, obviamente, e por outro lado voltar a abrir praças de touros que em 2020 não puderam receber corridas de touros por não ser viável financeiramente. Posso dar exemplo de Sobral de Monte Agraço, Arruda dos Vinhos… ou ainda de Caldas da Rainha [recebeu uma corrida], Nazaré [recebeu duas corridas] ou até mesmo Vila Franca de Xira que foi difícil com uma limitação de 1400 lugares. Praças com 2 ou 3 mil lugares têm muitas dificuldades em dar corridas de touros, com uma limitação a 30%. A nossa luta tem muito a ver com isso. Porque se descemos de 250 para 48 espectáculos, tem muito a ver com essa limitação”.

Mas as reinvindicações são também referentes à “manutenção dos artistas tauromáquicos na trincheira”.

Sentimos que é indigno que um artista (cavaleiro, bandarilheiro, forcado, matador de touros) não possa entre lides estar na trincheira. É do maior respeito que isso aconteça. Na parte técnica, relativamente à saúde, não existe nenhum problema que isso aconteça. Acreditamos que isto seja alterado, porque as praças têm condições de distanciamento entre pessoas. Não queremos acreditar que seja a presença deles entre trincheira que vá colocar em causa a saúde pública e deles próprios. Isso é uma das alíneas do nosso requerimento: manutenção dos artistas na trincheira, entre lides. É digno, respeitoso e obrigatório que isso aconteça. Aliás pedimos isso à DGS e IGAC para que seja colocado em prática numa próxima revisão da normativa”, acrescentou.

Ricardo Levesinho explicou que “a normativa foi criada no ano de 2020 e permitiu a realização de espectáculos tauromáquicos e essa normatiza, onde estas regras estão inseridas, é a que está em vigor. Simplesmente está suspensa, devido a este plano de confinamento que assola o país.  A partir do momento em que este confinamento termine, a normativa continua em vigor. O que estamos a pedir? Que essa normativa seja revista, com base nos nossos pedidos e na nossa experiência acumulada em 2020. Não podemos esquecer que essa normativa quando foi criada em 2020, foi criada sem aquecimento, sem preparação, no branco, para activar uma actividade que estava praticamente parada e definir umas regras de actividade. Ao dia de hoje, temos uma determinada experiência que nos permite dizer que as alíneas Y, X e Z sejam actualizadas pela DGS, com base na experiência que já tivemos, porque não se reflectirá negativamente na saúde dos presentes”.

Queremos acreditar que os técnicos com a experiência que tiveram em 2020, com os relatórios que fizeram e com o que viram, irão corroborar com os nossos conselhos”, disse esperançoso.

Já sobre a presença da imprensa entre trincheira, disse que “existiu uma limitação, porque nesta normativa não há autorização para a presença de um elemento da comunicação social entre trincheira. Mas não houve para nenhum elemento da comunicação social, como não houve para nenhum artista entre lides, como falámos anteriormente. Mas também não houve para outros elementos operacionais da própria organização”.

Deu o exemplo da sua empresa, “em que a empresa tem por norma acesso a 4 ou 5 acessos de trincheira por esspectáculo. Não é só por uma questão de vaidade, não tenho pessoas ao meu lado por questão de vaidade. Há questões operacionais que têm de ser cumpridas. A minha estrutura é muito familiar, cada um tem a sua função e essas funções acumularam todas em cima de mim. Era eu o único elemento da empresa que estava entre trincheira, devido a esta normativa e tive de fazer tudo. Confesso-lhe que não estive concentrado para determinadas coisas que por norma deveria estar”, disse.

Este exemplo serve para a comunicação social, com todo o respeito. Porque claro que queremos que a comunicação social tenha condições diferentes, há outras condições para fotografia entre trincheira do que tem na bancada. É um dos factores que pedimos que se regularize. Mas confesso que o nosso cavalo de batalha são os artistas. São eles o nosso foco. Depois vem a empresa, que precisa lá ter mais pessoas, vem a comunicação social, com necessidade e importância essencial. Mas o nosso cavalo de batalha são os toureiros”, rematou.

PRAÇAS DESMONTÁVEIS

No ano de 2020 não existiram corridas de touros em praças desmontáveis. Questionámos Levesinho se mais um ano sem corridas em praças desmontáveis, que permitiam levar a tauromaquia a determinadas localidades, poderia levar a uma perda de tradição na realização de corridas em espaços desmontáveis.

Ricardo disse “não quero acreditar nisso. Acredito que a tradição irá sempre existir, emocional essencialmente. Recordo-me de corridas de touros em praças desmontáveis, por exemplo, na Benedita. Histórica, com vários anos seguidos a ter um êxito brutal com praça cheia até à bandeira, como costumamos dizer. Forte organização dos bombeiros voluntários, com pessoas independentes que ajudam também dentro daquela organização e que permitiu sucesso ao longo de décadas. Dou o exemplo, também, de Samora Correia, Ponte de Lima, posso estar a esquecer-me de outros exemplos e ser injusto, mas há muitos casos”.

Compreendo a sua leitura, mas também acho que temos de ser resistentes e resilientes. Uma situação destas apanha-nos desfalcados de possibilidade de realização, mas também acreditamos que as pessoas que querem espectáculos tauromáquicos, quando estas praças desmontáveis regressarem, elas voltarão ainda com mais força e com mais desejo dos aficionados em lá estar. Sentiu-se isso em 2020, com as limitações de lotação impostas, mas com os aficionados a marcarem presença em força”.

REGRESSO DAS CORRIDAS DE TOUROS

Com alguns grandes festivais de música a adiarem as suas edições e outros eventos a adiarem as datas, questionámos o presidente da APET se acredita que as touradas anunciadas para Março e Abril ainda se possam realizar.

Ricardo Levesinho disse-nos que “há um plano dentro da associação, entre os empresários, que deverá ser respeitado. Há algumas datas que são de grande coincidência e criam alguns anticorpos e discrepâncias. Posso dar um exemplo, eu organizei uma corrida de touros na Chamusca, no ano passado, e foi no mesmo dia de Évora. Criou ali uma dificuldade de comunicação e relacionamento, mas há factores externos que não controlamos. É uma data histórica em Évora, mas também é uma data importante na Chamusca. Há coisas que não são fáceis de conciliar. A classe neste momento está a dar mostras de que já não vale a pena inventar, vale a pena construir, desenvolver e promover espectáculos com as condições máximas de sucesso. E as empresas são as principais interessadas em que os espectáculos tenham sucesso. Quando me pergunta se os espectáculos de Março podem ser adiados mais para a frente, tenho as minhas dúvidas. Com certeza que nós, empresários, temos planos B e acreditamos que esses sejam de sucesso também. Quanto mais adiarmos a reabertura das corridas de touros, menos existirão. E o exemplo foi 2020, começámos em Julho e tivemos dificuldades em recuperar as corridas que anteriormente promovíamos nos meses anteriores. Se a temporada começar em Maio, era positivo, porque salvo algumas excepções como a corrida projectada para Santarém, em Março, e do 25 de Abril em que há em Alter do Chão e no Sobral de Monte Agraço… essas datas penso não serem possíveis de recuperar. Mas se começarmos em Maio e com a lotação a 50% temos todas as condições para andarmos para a frente e termos uma temporada positiva ”.

CARTAZ DA PROTOIRO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA E NO CAMPO PEQUENO

O polémico cartaz da Protoiro colocado, primeiro, junto da Assembleia da República e, posteriormente, diante da Praça de Touros do Campo Pequeno criou muita polémica.

O empresário Luís Miguel Pombeiro ameaçou deixar a APET, inclusive.

Sobre estas ameaças, Ricardo Levesinho disse “que valem o que valem. As pessoas são livres de fazerem o que entenderem e naquilo em que acreditam. Essa análise é uma análise pessoal por parte desse empresário e eu respeito-o e respeito a sua decisão”.

Já sobre o outdoor, “acho que na vida temos de ser homens, respeitosos connosco e com os outros. A partir do momento em que a APET tem assento directivo na Protoiro, é também responsável pelas decisões que aí são tomadas. Pelas boas e pelas más”.

Vou-lhe dar uma visão pessoal sobre o facto. Eu na vida não ofendo ninguém, fujo a isso. Acho que devemos andar de uma forma correcta e recta na vida. Não vi que aquele cartaz ofendesse, afectasse ou criasse algum problema de sensibilidade íntima ou pessoal das pessoas ali retratadas [André Silva, do PAN, e António Costa, primeiro-ministro]. Eu não vi aquele cartaz apontar alguma forma de gozo, nem ofensa. O que eu vi ali foi uma forma de chamar a atenção para a liberdade de despertar a consciência. Isto ser politicamente correcto é muito giro. Também acho que pela diplomacia e pelo diálogo se consegue muitas vezes chegar aos mesmos resultados. Mas não me posso esquecer que sentimos na pele discriminações de vários tipos. Temos uma discriminação no IVA que é completamente nociva. A cultura toda tem o IVA a 6%, a tauromaquia a 23%. É caso único. Não sei se existo algo semelhante no mundo. Na mesma área, cultura, existir IVA discriminatório por uma cultura de gosto. Porque é que não abrimos as praças de touros ao mesmo tempo que as outras salas de espectáculos? Então o Campo Pequeno reabriu com espectáculo musical, mas não de podiam dar corridas de touros na mesma altura? Porque é que estamos a pedir reuniões com a Sra. Ministra da Cultura, que tem as opiniões que tem sobre a tauromaquia, mas não nos responde? Eu entendo que a senhora não entenda a arte tauromáquica e irei continuar a respeitá-la como pessoa importante para o país pela tutela que governa e pelas responsabilidades que tem. E como pessoa, com certeza absoluta. Por não gostar de tauromaquia, eu não tenho de a descredibilizar. Nem a senhora, nem o primeiro-ministro, nem quem quer que seja. Agora, peço que nos oiçam. Que digam, ‘recebemos o vosso pedido de reunião, não tenho agenda para este ano, mas tenho para o ano que vem. Não consigo este mês, mas consigo daqui a três meses’. Não nos responde sequer. E isto acumula e são tantas situações e que não percebemos em que sociedade estamos inseridos. Não temos voz? Não temos orgulho de pertencer a este país? Não defendemos uma cultura centenária que defende uma identidade histórica? Vamos dizer a pessoas de Santarém, Vila Franca, Alcochete, que a tauromaquia acaba? É assim que se trata os cidadãos? É assim que se trata as gentes que vivem das suas festas? Estamos a representar um sector que engloba estas pessoas todas e que merece ser respeitado. E portanto, com tanta discriminação, aquilo [cartaz] foi uma chamada de atenção, foi um libertar e despertar de consciências. Se é polémico? Às vezes as polémicas é o que chama a atenção. Mas não levem as polémicas para qualquer ofensa”.

Chamem-nos, digam o que precisam de nós. Digam o que nos querem criticar. E a partir daí há planos de convergência, de coincidência através do diálogo e que vamos certamente conseguir convergir. E vamos conseguir construir, não tenho dúvidas nenhumas. Estamos completamente discriminados, esquecidos, colocados de lado. Entendam que somos cidadãos responsáveis por determinadas associações e por um movimento de uma actividade cultural histórica, não podemos ficar de braços cruzados. Quisemos chamar a atenção e dizer que precisamos ser ouvidos. Mais do que polémica no sector, queríamos um despertar, alertar de mentes para que olhem para nós e que precisamos de ser ouvidos”, acrescentou.

Disse que sobre o cartaz colocado na assembleia “sim, tive conhecimento. Entendemos que era o local exacto para passar a nossa mensagem”, enquanto “na questão do Campo Pequeno fomos completamente ultrapassados. Não tivemos conhecimento. Houve uma dificuldade de comunicação. Houve alguém, a agência de comunicação, que nos quis ser útil, quis dar força à tauromaquia, quis ajudar. Entendeu que no meio de Lisboa, depois da Assembleia, o Campo Pequeno era o local ideal para que o cartaz fosse colocado. A partir do momento em que percebi que aquilo tinha acontecido, eu próprio perante a restante direcção da Protoiro pedi para que fosse de imediato retirado. E todos aceitaram”.

Quando questionado sobre se, depois de tudo o que foi escrito e dito e da polémica criada, voltaria a apoiar a decisão desta campanha, disse “com certeza que sim”.

Perda das praças de touros de Viana do Castelo, Póvoa de Varzim e Albufeira.

A Praça de Touros de Albufeira foi a mais recente perda para a tauromaquia nacional, juntando-se às de Póvoa de Varzim e Viana do Castelo.

Quando questionado se com a perda de praças nos extremos geográficos do país, isto não levaria a que a tauromaquia passasse de uma cultura nacional para uma cultura regional, disse-nos que “é a isso que nos estão a levar. Vamos aos processos da Póvoa e de Viana e que são diferentes do processo de Albufeira. A Cultura do gosto imperou em Viana do Castelo e na Póvoa de Varzim, que por vontade de dois presidentes ditadores, foram contra uma identidade histórica e de uma vivência de praças de touros importantíssimas para a tauromaquia que existiam nestas duas cidades. Uma ditadura, uma forma estar na sociedade, que pensava eu e todos, estaria desajustada no tempo. Porque a ditadura não existe neste país”.

Sobre Viana disse ainda que “a praça é propriedade da câmara, tal como Póvoa, e portanto estamos dependentes dos proprietários fazerem o que entendem”.

Na Póvoa, “surgiu um movimento popular, a Patripove [Associação de Defesa do Património Poveiro] com ideias dignas, coerentes, estruturadas e meteu uma providência cautelar, que foi aceite pelo tribunal competente, e todas as obras de destruição da praça de touros da Póvoa pararam”. Em Viana, “o que queremos é que aconteça da mesma forma”.

O que estamos a fazer é que as praças não sejam destruídas. Isso é o que está nas nossas mãos. Despertar mentes, despertar acções, despertar movimentos locais, para que as praças não sejam destruídas e o valor histórico não desapareça definitivamente. Depois, se vencermos esta questão, temos uma segunda questão que é a realização das corridas de touros. Vamos deixar essa questão mais para a frente. Vamos focar-nos na defesa e manutenção das praças de touros, para que não sejam destruídas. E na defesa da história. Mas depois questionam, mas por que foi um movimento popular e não a Protoiro? Tomara nós que haja alguém que faça. Se a Protoiro tem mais ou menos protagonismo, não é relevante. Importante é que existam movimentos que contam com o nosso apoio a 500%”, esclareceu ainda sobre a acção da Prótoiro.

Disse-nos ainda esperar que possam existir mudanças nas próximas eleições autárquicas nestas localidades.

Sobre a Praça de Touros de Albufeira lembrar que não existiu qualquer intervenção camarária, mas sim um processo de compra e venda.

TRANSMISSÕES TELEVISIVAS

Dada a constante redução do número de transmissões televisivas, questionámos Ricardo Levesinho se há conversações com canais nacionais e internacionais para a transmissão de corridas, se há negociação para redução do valor pedido pela Associação Nacional de Toureiros em cada transmissão e ainda a questão do livestreaming.

O presidente da APET disse que “há diálogo e convergências, há cedências de parte a parte, porque acima de tudo o que queremos é uma festa viva e com futuro”.

Explicou que “quanto às transmissões televisivas em 2020, foram as que foram devido à contingências a nível global. Houve aquele problema em Monforte, com uma organização que estava prevista, mas depois não se deu. E isso tirou-nos uma transmissão na RTP, estação com a qual já falámos, APET. A RTP está neste momento em tempo de eleições, para depois as estratégias serem definidas, estando nós nessa dependência porque é importante para nós que a tauromaquia continue a dar no canal público. É uma forma de chegar a jovens, a novos aficionados e a quem gosta de ver uma corrida de touros

Ricardo disse ainda que há “outras fórmulas, como o streaming e não só, que estamos a avaliar. Há várias possibilidades e projectos em mão neste momento”.

Explicou que ao nível de canais internacionais “há abertura ao nosso panorama tauromáquico, interesse nas corridas tauromáquicas em Portugal e estamos em conversações, a negociar, para que se tornem efectivas e reais. De modo que respeitem também esses direitos de imagens dos toureiros, em que somos solidários, porque defendemos uma causa que apoia os toureiros actuais e os retirados. Também sabemos que o Fundo Nacional de Assistência aos Toureiros precisa de determinadas verbas para sobreviver. Vivemos em convergência, em entendimento. Vivemos percebendo as dificuldades de todas as associações para nos ajudarmos uns aos outros”.

Assumiu que as conversas “têm sido muito frutíferas e estamos a ajustar-nos aos tempos actuais, porque estamos todos em prol de uma causa global que é a tauromaquia. Seja em canal aberto ou noutros, acredito que existirão corridas de touros transmitidas”.

Não assumiu negociações com a TVI nem com o canal Toros, “estamos a caminhar em vários sentidos, é precoce estar a dizer mais do que isso. Temos um espectáculos majestoso para chegar a todo o mundo”. disse.

Sobre o afastamento da restante imprensa generalista da tauromaquia, disse que “é um problema vigente, que nos atormenta, é um problema que na última década tem vindo a agravar-se”.

Destacou os vários jornais generalistas que passavam informação generalista aos seus leitores e que actualmente reduz-se ao Correio da Manhã, “que periodicamente tem alguns detalhes”.

Revelou, no entanto, que “há 3 projectos que estão em cima da mesa e que temos estado a conseguir vencer e dentro de pouco tempo vamos conseguir ter algumas boas notícias sobre isso”.

Nota de Direcção: O Governo anunciou hoje o regresso dos espectáculos a 19 de Abril. Entrevista realizada ao empresário durante o dia de ontem.

Rui Lavrador
Rui Lavradorhttp://www.infocul.pt
Jornalista e Director Infocul.pt

Artigos Relacionados

Siga-nos nas redes sociais

23,992FãsCurtir
154SeguidoresSeguir
84InscritosInscrever