RTP discute contas negativas, reestruturação e saídas voluntárias em reunião com trabalhadores

RTP discute contas negativas, reestruturação e saídas voluntárias em reunião com trabalhadores, segundo foi revelado.

A reunião entre a Comissão de Trabalhadores da RTP e o Conselho de Administração, realizada a 4 de maio, abordou vários temas sensíveis para a estação pública.

Segundo um comunicado obtido pelo 24Horas, o encontro decorreu num contexto financeiro difícil. Em causa estão os resultados negativos registados em 2025, que interromperam 15 anos consecutivos de contas positivas.

Custos aumentam e contribuição mantém-se parada

De acordo com o documento, a Comissão de Trabalhadores aponta o aumento dos custos como um dos principais problemas da RTP.

Além disso, a Contribuição para o Audiovisual está sem atualização desde 2017. Para a estrutura representativa, cabe ao Estado garantir meios financeiros adequados ao serviço público prestado.

Entre os fatores referidos estão os encargos operacionais, as despesas com pessoal e os custos associados a saídas voluntárias. Também são mencionados investimentos considerados necessários para manter a operação da empresa.

Despesas jurídicas e folgas acumuladas em análise

Durante a reunião, foram pedidos esclarecimentos sobre despesas com litigância e honorários de advogados.

A Comissão de Trabalhadores considera que parte desses gastos pode ser evitável. O comunicado refere ainda preocupação com processos contra trabalhadores em situação precária.

Entretanto, o volume de férias e folgas por gozar também foi discutido. Para os representantes dos trabalhadores, esse dado mostra a pressão existente em vários serviços.

Assim, a Comissão afasta a ideia de que a RTP tenha excesso de recursos humanos.

Reestruturação continua sem detalhes conhecidos

A reestruturação da RTP e o processo de saídas voluntárias terão sido temas centrais do encontro.

Uma fonte da redação da RTP indicou ao 24Horas que o plano em preparação foi temporariamente interrompido. Em causa está a necessidade de integrar um aditamento ao Plano de Atividades e Orçamento, exigido pelo Governo.

Ainda assim, a Comissão de Trabalhadores continua sem conhecer detalhes concretos sobre o processo.

Comissão fala em autonomia condicionada

No comunicado, a estrutura representativa dos trabalhadores critica o atual enquadramento da gestão da RTP.

“Numa situação de gestão corrente, condicionada por limitações impostas pela tutela governamental, com impactos claros na capacidade de planeamento, investimento e decisão da empresa. Esta situação asfixia a autonomia de gestão e compromete a execução de processos estruturais essenciais ao futuro da RTP”.

Desta forma, a Comissão de Trabalhadores alerta para os impactos das limitações atuais na definição do futuro da estação pública.

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