Tânia Laranjo voltou a pronunciar-se sobre a crise da habitação e rejeitou que o debate seja transformado numa disputa entre portugueses e imigrantes. Numa publicação no Facebook, esta quarta-feira, 21 de outubro, a jornalista recuperou a sua própria história para criticar o uso do passado como instrumento de divisão.
“Sou retornada. Mas, se me perguntarem, prefiro que me chamem refugiada. Talvez por isso me incomode ainda mais ver a história ser usada para dividir pessoas, como se a dor de uns servisse para diminuir a dos outros”, escreveu.
A mensagem surgiu em reação a um texto que Tânia reproduziu na publicação, sem identificar o autor, sobre o acolhimento de retornados e a situação dos imigrantes.
“Não precisamos de transformar isto numa competição”
Na abertura da publicação, sob a indicação “Lido por aqui”, a jornalista partilhou o comentário que motivou a sua resposta.
“As pessoas da minha idade devem-se lembrar de como empregos eram reservados para retornados (que preferiam chamar-se refugiados) e estes foram alojados em hotéis, instalações do Inatel e afins. Nada disso se passa hoje com os imigrantes, bode expiatório de todos os problemas do país.”
Ao reagir, Tânia Laranjo centrou a atenção nas dificuldades de quem trabalha e não consegue pagar uma casa, defendendo que a discussão deve procurar respostas para esse problema.
“Só faltava mesmo esta. A habitação é um problema grave, há gente que trabalha e não consegue pagar uma casa, jovens sem perspetiva de futuro e famílias sufocadas pelas rendas. Não precisamos de transformar isto numa competição entre portugueses e imigrantes, nem de procurar culpados onde eles não estão.”
Jornalista reafirma apoio à causa e critica excessos
Tânia Laranjo anunciou ainda que voltaria ao Rossio em trabalho e reiterou a solidariedade com as reivindicações pela habitação.
“Hoje volto ao Rossio, em trabalho, e reafirmo: sou solidária com a causa. É urgente travar o preço da habitação e devolver esperança a quem trabalha.”
Esse apoio foi acompanhado por uma nova crítica aos comportamentos que considera prejudicarem a mobilização.
“Mas não sou solidária com os excessos, os insultos à polícia ou os radicalismos que acabam por desviar a atenção do essencial. Uma causa justa não precisa de inimigos inventados. Precisa de soluções.”
Leia também: Vânia Sá revela que pagou 6000 euros pela cesariana da filha: “Nunca fiz seguro”
