Tânia Laranjo contou ter intervindo numa discussão num parque infantil depois de uma mulher contestar a presença de um grupo de crianças naquele espaço e apontar-lhes o telemóvel. Num relato publicado no Facebook, a jornalista criticou a atitude e questionou se a cor da pele de uma das crianças poderia ter influenciado a reação.
A publicação começa com uma referência à expressão popular usada para descrever alguém que procura impor as suas regras aos outros.
“Hoje encontrei uma Karen. Não conhecia o termo, mas fiquei fã da definição. Uma Karen é aquela pessoa que acha que manda em tudo, que tem sempre razão e que está convencida de que o mundo tem de funcionar de acordo com as regras que lhe passam pela cabeça. Geralmente, telefone em punho e voz acima do volume permitido”, escreveu.
Jornalista diz que as crianças estavam tranquilas
Segundo Tânia Laranjo, o episódio aconteceu quando estava na esplanada de um restaurante, perto de um parque infantil.
“Estava na esplanada de um restaurante quando começou o espectáculo. Um grupo de miúdos estava num parque infantil, tranquilamente a conversar. O mais velho tinha 12 anos. A senhora decidiu que aquele parque era para crianças de dois anos”, relatou.
A jornalista descreveu a insistência da mulher com ironia: “Não sei se era especialista em parques infantis ou se tinha sido nomeada fiscal naquele dia. Mas estava decidida.”
Perante o que estava a presenciar, decidiu intervir, manifestando a sua preocupação com a intenção de fotografar as crianças.
“De telefone apontado aos miúdos, queria fotografá-los. Tentei explicar-lhe que os filhos dos outros não são figurantes de um filme que ela resolveu realizar e que fotografá-los sem autorização podia trazer-lhe problemas. Os miúdos estavam sossegados. A única pessoa aos gritos era ela”, afirmou.
Tânia Laranjo não adiantou se a mulher alterou o comportamento depois da intervenção.
“Não sei se percebeu. Também não fiquei à espera que me agradecesse a informação.”
Tânia Laranjo deixa uma pergunta sobre o sucedido
Na mesma publicação, a jornalista explicou que um pormenor lhe suscitou uma reflexão sobre a possibilidade de preconceito. Apresentou essa hipótese como uma dúvida pessoal, sem afirmar conhecer a motivação da mulher.
“Só depois reparei num pormenor: a criança que brincava tranquilamente no cavalinho de ferro era negra. E não consegui deixar de pensar se a senhora teria feito o mesmo espalhafato se fosse uma criança branca”, escreveu.
A publicação foi acompanhada por uma fotografia de Tânia Laranjo numa manifestação, cuja escolha a própria comentou no final do texto.
“Na fotografia desta crónica estou numa manifestação. Podia ser pelo fim das Karens. Não faltava por onde começar.”
