Quinta-feira, Maio 13, 2021

Uma liberdade que se quer atual

Uma liberdade que se quer atual

Entre algum bafio dos discursos na assembleia da república até às palavras de ordem gritadas um pouco por todo o lado, com uns “fascismos nunca mais”, entre músicas e cantigas de intervenção. lá se vai repetindo o dia dos cravos ao longo de 47 anos. Como que estático no tempo, o 25 de abril sucumbiu à banalidade de um qualquer feriado. Se há 47 anos perceberíamos a importância deste dia, hoje desvalorizamo-lo. É mais um feriado. 

Desde os mais velhos aos mais novos, salvam-se poucos aqueles que se entusiasmam verdadeiramente com o aniversário da revolução dos cravos, não por saudosismo, longe disso. Mas por indiferença, por falta de significado e atualização à data. Quando em 1974 se falava na abertura de Portugal ao mundo, hoje falamos na competitividade que Portugal não tem no mundo. Se falávamos na guerra colonial que sugava os jovens para áfrica, hoje falamos nas condições económicas que os obrigam a emigrar em busca de uma vida melhor. Se falávamos em liberdade política, hoje falamos em indiferença sobre a política, se falávamos em presos políticos hoje falamos em políticos presos. Se falávamos em direito ao voto, hoje falamos em abstenção. Como chegámos aqui?

Como se chega ao Portugal de 2021, a disputar últimos lugares de rankings europeus, como se chega a Portugal do séc XXI com salários médios que são verdadeiros desafios de sobrevivência mensal. Como se chega ao dia de hoje, com um sistema de pensões falido e longe de ser reformado?

Passados 47 anos, as liberdades requerem atualização, pois se muito foi feito, muito ainda há que fazer. Estas são as liberdades dos nossos tempos, porque se temos as outras, outrora conquistadas e cimentadas por quem cá esteve antes, hoje, as mesmas mudaram. Hoje a liberdade reside na emancipação do jovem, está fixada na libertação dos empresários das burocracias e vícios do estado, está na escolha livre da escola em que quero ter os meus filhos e está na transparência da informação. A liberdade hoje é um equilíbrio entre a vida e o trabalho, entre o lar e o local de trabalho. Falar hoje de esse valor, é devolver o sonho aos jovens. É dizer-lhes que compensa estudar, que o mérito em Portugalé recompensado! Falar de liberdade é perguntar qual a razão de Portugal ter a 5ª menor taxa de natalidade da UE. Falar de liberdade é olhar para a justiça, é perguntar aos portugueses o porquê da sua desconfiança neste sistema. 

É esta a liberdade de 2021, aquela que precisa de reformas, que precisa de ser atual. Pensá-la agora é olhar para o que não se fez, olhar para as reformas que ficaram na gaveta. É olhar para o elevador social e perguntar porque é que são precisas cinco gerações para um pobre se libertar da sua condição de pobreza. É saber que há ainda muito por fazer e que a nossa liberdade depende de reformas, de ambição e de boa gente para a executar. A nossa liberdade, no ano presente, tem de ser mais que um feriado, mais que uma descida na avenida, mais que um bailarico ou uma canção. A nossa liberdade merece uma atualização.

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