“A vida não tem VAR”: Pedro Chagas Freitas emociona ao revelar fracasso no futebol e paixão pelo jogo, nas redes sociais.
Um fracasso transformado em arte
Pedro Chagas Freitas surpreendeu os seguidores ao partilhar, no Instagram, um excerto de um texto publicado na mais recente edição do Jornal Desportivo de Guimarães. No relato, o autor abriu o coração sobre a sua curta e falhada passagem pelo futebol.
“Joguei futebol. Durante anos. Em iniciados, juvenis, juniores, seniores. A minha carreira futebolística foi um fracasso tão absoluto que se tornou numa obra de arte conceptual. Eu era regular: jogava sempre mal. E era polivalente: jogava mal em todas as posições. Foi o futebol que me ensinou que o amor não é lógico”, escreveu.
Amor pelo jogo que nunca se perdeu
Apesar das dificuldades vividas enquanto jogador, Pedro Chagas Freitas confessa que nunca deixou de amar o futebol. Pelo contrário, tornou-se um espaço de catarse e ligação emocional.
“Falhei como jogador. Continuo a amar o jogo. O futebol é a minha religião privada, o meu santuário de loucos, a minha terapia semanal. Quando o meu clube marca, sinto que sou menos miserável. Quando perde, tenho uma desculpa legítima para a tristeza. É uma dor partilhada, e por isso mais leve. Há algo de sublime em sofrer em conjunto, em falhar em conjunto. Em amar, mesmo assim. O segredo desta porcaria toda é esse: amar mesmo assim”, desabafou.
Golo como metáfora da vida
Mais adiante no texto, o autor compara o futebol à própria existência. Um golo torna-se, para ele, mais do que um simples momento de celebração: é uma pequena vitória num mundo sem garantias.
“A vida não tem VAR, não tem tempo extra. Um golo tem tudo isso. Quando acontece, tem de ser celebrado como a coisa mais importante do mundo. Pode ser. A alegria irracional de ver uma bola a entrar, de abraçar o desconhecido que está ao nosso lado como se fôssemos irmãos inseparáveis. Por um segundo, tudo faz sentido. Ao contrário: por um segundo, nada é sem sentido. É isso o que amor faz, não é?”, questiona.
Acreditar, mesmo quando tudo falha
Num encerramento marcado pela reflexão e sensibilidade, Pedro Chagas Freitas deixa uma mensagem sobre a fé que se mantém, mesmo após quedas sucessivas.
“Um golo é a nossa última forma de acreditar. Eu, que falhei em campo e fora dele, continuo a acreditar. A vida não é uma coisa para ser levada a sério; é uma coisa para ser levada ao colo”, concluiu.
