Maria João Bastos revela dificuldades nas cenas mais duras de «Páginas da Vida»: «Como é que eu vou fazer isto?», questionou.
Maria João Bastos esteve esta terça-feira no «Casa Feliz», onde falou sobre o trabalho desenvolvido na adaptação portuguesa de «Páginas da Vida».
À conversa com Diana Chaves, a atriz explicou o interesse que sente por personagens antagonistas. Abordou ainda as cenas de maior carga social e a relação profissional construída com Filipe Vargas e Margarida Moreira.
Na novela da SIC, Maria João Bastos interpreta a principal vilã da história, uma personagem ligada a vários dos momentos decisivos da narrativa.
Atriz explica por que gosta de interpretar vilãs
Durante a conversa, Maria João Bastos reconheceu que este tipo de papel exige um trabalho diferente. Além disso, as vilãs assumem frequentemente um peso central nas mudanças da história.
“Eu gosto de fazer vilãs porque as vilãs para uma atriz são um desafio maior, não é? Muito da história e dos acontecimentos que são as viragens da história ao longo da novela, ao longo da série ou do filme, normalmente são acontecimentos que são trazidos para a história pelas vilãs.”
A atriz vê, por isso, estas personagens como uma oportunidade para explorar comportamentos afastados da sua própria maneira de pensar.
Contudo, algumas cenas de «Páginas da Vida» obrigaram-na a enfrentar um desconforto maior do que o habitual.
Cenas com Margarida Moreira causaram apreensão
Diana Chaves quis saber se Maria João Bastos alguma vez hesitou perante aquilo que estava escrito no guião.
A atriz recordou os primeiros momentos gravados com Margarida Moreira, que interpreta Clarinha, uma criança com Trissomia 21.
O preconceito presente nessas sequências deixou-a apreensiva antes das filmagens.
“Aconteceu-me com as cenas com a menina, no início. Não é não vou fazer isso, é ficar um pouco assustada, como é que eu vou fazer isto? Porque eram cenas tão más, são cenas tão más, é de um preconceito tão abominável, que eu abomino, que eu pensei, como é que eu vou fazer isto?”
A dificuldade não estava, assim, numa recusa em interpretar a personagem. Surgia antes da violência das palavras e atitudes que teria de reproduzir diante da jovem atriz.
Contracena ajudou a ultrapassar bloqueio inicial
Maria João Bastos explicou que a resposta de Margarida Moreira durante as gravações acabou por facilitar o trabalho.
À medida que as cenas avançaram, a atriz procurou concentrar-se na importância de retratar aquele preconceito e de contribuir para a discussão do tema.
“A contracena dela foi acabando por me facilitar essas cenas e fomos fazendo. E mais uma vez eu pensava, não, existem pessoas assim, eu tenho que fazer este preconceito, tem que acabar este e outros. A novela retrata outros temas que são fundamentais conversar, a violência doméstica, o racismo. Acho que tem esse cariz social que é importante e que tem feito as pessoas pensarem.”
Além da Trissomia 21, a produção aborda, portanto, assuntos como o racismo e a violência doméstica.
Para Maria João Bastos, a exposição destas realidades pode levar o público a refletir sobre situações que continuam presentes na sociedade.
Confiança foi essencial nas cenas com Filipe Vargas
A atriz falou também sobre a relação profissional desenvolvida com Filipe Vargas.
Os dois partilharam cenas marcadas por confrontos verbais e físicos, o que exigiu segurança e confiança durante as gravações.
“Aquele tipo de cenas que nós fazemos juntos, cenas que são violentas verbalmente e fisicamente, são cenas que é preciso muita confiança no outro ator. Tens que te atirar sem rede e tens que ter a segurança de que o outro ator está ali para ti. E isso acontecia connosco.”
A cumplicidade entre ambos permitiu que os momentos mais intensos fossem interpretados com maior liberdade.
Ao mesmo tempo, os atores procuraram aproximar os diálogos do ritmo de uma conversa real.
Maria João Bastos elogia parceria com Filipe Vargas
Maria João Bastos explicou que ela e Filipe Vargas trabalharam as interrupções e a sobreposição das falas.
O objetivo passava por evitar uma interpretação demasiado rígida e reproduzir a forma como as pessoas comunicam no quotidiano.
“Trabalhámos isso, que é, tal como na vida real, interrompermo-nos muito. (…) Estar na cena com um ouvido para saber que o outro ator já disse o que era importante dizer (…) e que tu podes agora entrar no momento dele falando por cima dele. (…) Foste assim um parceiro inacreditável e acho que funcionou mesmo muito, muito, muito bem.”
A atriz mostrou-se ainda nostálgica ao recordar o trabalho realizado ao lado do colega.
Entre o desafio de dar vida à principal vilã e a responsabilidade de representar assuntos delicados, Maria João Bastos destacou o ambiente de confiança criado durante as gravações de «Páginas da Vida».
