Tânia Laranjo considerou justa a causa das manifestações pela habitação, mas criticou comportamentos que diz ter testemunhado entre os participantes. Numa publicação no Facebook, a jornalista alertou para o risco de os insultos e os “tiques totalitários” prejudicarem as reivindicações de quem procura uma casa.
A reflexão foi acompanhada por uma fotografia da concentração no Rossio, em Lisboa. No texto, Tânia Laranjo começou por reconhecer a legitimidade da mobilização, antes de deixar um aviso sobre os seus protagonistas.
“Voltaram à rua e estão na praça. Manifestam-se pela habitação e a causa é justa. Mas esperemos que não apareçam tiques totalitários, como os que começaram a dar sinais ao fim de três dias de ocupação da praça. E que os radicais dos insultos não acabem a ser os rostos de uma luta que é demasiado importante para ficar refém deles.”
“Estive lá, ouvi, observei”
A jornalista afirmou ter estado no local e contactado com a realidade de pessoas que, apesar de trabalharem, não conseguem suportar o custo de uma casa.
“Estive lá, ouvi, observei. Vi gente que trabalha, que se esforça, que está farta de fazer contas e de perceber que, por mais que trabalhe, não consegue pagar uma casa. É difícil não compreender a revolta.”
No entanto, Tânia Laranjo relatou também comportamentos que mereceram a sua censura, sem identificar na publicação os respetivos intervenientes.
“Mas também vi o que acontece quando alguns confundem o direito de protestar com o direito de insultar toda a gente, como se a praça lhes tivesse sido entregue por escritura.”
Jornalista pede que os radicais não falem por todos
Na parte final da mensagem, Tânia Laranjo defendeu que a gravidade do problema da habitação exige responsabilidade na forma como a contestação é conduzida.
“A habitação é um problema sério demais para ficar nas mãos de quem acha que gritar mais alto lhe dá razão. Os manifestantes têm direito a ocupar o espaço público, mas não são donos dele. E uma causa justa não dá a ninguém o direito de impor a sua vontade aos outros.”
A jornalista encerrou o texto com um apelo dirigido aos participantes: “Se querem mudar as coisas, não deixem que os radicais acabem por falar em nome de todos. Porque isso só dá jeito a quem não quer ouvir as reivindicações.”
Fotografia: Tânia Laranjo
