Apoteose a Katia Guerreiro em concerto sofisticado no Caixa Alfama 2025

Apoteose a Katia Guerreiro em concerto sofisticado no Caixa Alfama 2025, na noite de ontem, no Palco Caixa.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Carlos Pedroso

Noite de fado junto ao Tejo

No Palco Caixa, junto ao Tejo, Katia Guerreiro protagonizou um dos momentos mais marcantes da primeira noite do Caixa Alfama 2025. A fadista, que celebra 25 anos de carreira no próximo dia 6 de outubro, mostrou uma maturidade artística extraordinária e uma presença de palco impressionante.

Descalça, vestida de vermelho brilhante e com um blazer sóbrio, Katia Guerreiro fez da sua voz o veículo principal para embalar o público, conduzindo os ouvintes por uma viagem de bom gosto, requinte e sofisticação.

Repertório de excelência e momentos marcantes

O alinhamento do espetáculo revelou o cuidado na escolha do repertório, com interpretações que valorizaram poemas e musicalidade em doses perfeitas. Desde ‘Alegoria’ a ‘Tristeza Velha’ no Fado Menor, após ‘Saia Rodada’, cada tema foi entregue com emoção e técnica refinada.

Momentos de destaque incluíram ‘Até ao fim’, de Vasco Graça Moura com música de Tiago Bettencourt, e a participação de Helder Moutinho em ‘Quem Diria’, num momento divertido e unificador, que ainda homenageou José Mário Branco.

A interpretação de ‘É tão longe a minha casa’ foi arrebatadora e preparou a entrada de João Mário Veiga, músico fundamental na carreira de Katia. Seguiram-se temas como ‘Rosa Vermelha’, ‘Incerteza’, ‘Segredos’, ‘Asas’, ‘Pranto de amor ausente’ e a marcha ‘Amália, nome de Lisboa’, conduzindo à parte final do concerto com grande intensidade emocional.

Homenagem a Amália Rodrigues e encerramento em apoteose

O espetáculo terminou com ‘Barco Negro’ e ‘Amor de Mel Amor de Fel’, recriando os momentos que Katia apresentou no Coliseu dos Recreios em 2000 numa homenagem a Amália Rodrigues, na altura pela mão de João Braga.

Ao longo da noite, o público foi envolvido pelo talento, sofisticação e interpretação de Katia Guerreiro, confirmando que os 25 anos de carreira não são apenas uma marca, mas um ponto de partida para novos êxitos.

Como ficou claro ao longo da atuação: foi uma noite inesquecível que prometeu mais 25 anos de excelência no fado.

Por fim, destaque para a iluminação de António Martins e o som de Luís Baptista e Luís Caldeira.

Nota final: A meio do concerto, o cruzeiro atracado no porto, partiu. E os passageiros ligaram as luzes dos telemóveis e despediram-se da fadista e do público que estava em terra firme. O gesto foi retribuído pela fadista e pelo público do festival. Momento maravilhoso!

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