Miguel Cristovinho sobre o 25 de Abril: “Para algumas pessoas talvez este dia tenha dono e seja apenas de alguns”, assinalou.
Ontem, Miguel Cristovinho recorreu ao Instagram para refletir após as celebrações do 25 de Abril.
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“Agora que já se celebrou o que importa, pode não ser uma opinião popular, mas se for polémica então é necessária”, assinalou.
“Chegámos ao Marquês, começámos a descer a rua, uma miúda vem ter comigo e pergunta-me ‘posso dar-te um autocolante?’ Claro. O autocolante é o que está na segunda fotografia”, explicou.
“Será que a malta ainda não entendeu que a forma de prosperarmos enquanto sociedade é a cooperação e não o conflito? Não era suposto este dia relembrar-nos a bênção que é vivermos em liberdade, de pensamento, de opinião. Para algumas pessoas talvez este dia tenha dono e seja apenas de alguns. Vamos continuar a dar voz a narrativas que nos separam ou a compreender que colocar pessoas em sacos opostos só serve de gasolina para o incêndio. Só divide”, continuou.
“Não basta olhar o que tem acontecido no ‘país referência do ocidente’ onde o sistema político se tornou de tal forma binário que ou estás connosco ou estás contra nós. O povo é e será sempre composto na sua grande maioria por pessoas moderadas, umas mais liberais, outras mais conservadoras, com visões distintas do mundo, de sucesso, mais assim ou mais assado, especialmente nos assuntos fundamentais – saúde, educação, habitação e, claro, liberdade. Que bom que é poder ser assim. Não são os 500 malucos da net que veneram, nem os outros 500 que odeiam”, prosseguiu.
Miguel Cristovinho: “Que o debate político continue a existir”
“As ruas estiveram cheias de cravos, de gente boa, e se fossem apenas pessoas que votam ou sempre votaram à esquerda a comparecer, tenho a certeza de que não teriam estado tão cheias. Tenho pessoas que amo que votam num lado, outras que amo e votam noutro, nenhum de nós sente que tem de se enfrentar. Que o debate político continue a existir. Quem vir no debate ideológico o caminho para a prosperidade que continue a fazê-lo, está no seu direito, mas lembrem-se que somos muito mais parecidos uns com os outros do que nos querem fazer parecer”, reforçou.
“Nós precisamos realmente de coragem, mas não é para ‘enfrentar a direita’ ou a esquerda. É para combater a opressão, a intolerância, a pobreza de espírito e o homicídio dos sonhos. E isso podes ter a certeza que encontras em qualquer um dos lados da barricada, para onde quer que vires a cabeça, especialmente lá ao fundo”, finalizou.
