Pedro Chagas Freitas: “Quero ter orgulho na minha estranheza”

Pedro Chagas Freitas: “Quero ter orgulho na minha estranheza”, assinalou o conhecido escrito nas redes sociais.

Novo livro de Pedro Chagas Freitas já está nas livrarias

Pedro Chagas Freitas voltou a surpreender os leitores com o lançamento do seu mais recente livro. A obra já está disponível para venda, e o autor fez questão de partilhar um excerto através das redes sociais.

Na sua conta oficial do Instagram, o escritor publicou um texto com forte carga crítica e reflexiva. Logo no início, aponta: “Quero ter orgulho na minha estranheza. Não há ninguém como eu, não há ninguém como ninguém. Nunca houve, nunca haverá. Isso devia ser uma festa, um delírio. Não é. Não deixam que seja.”


Crítica à pressão para a normalização

Em seguida, o autor denuncia a forma como a sociedade tenta moldar comportamentos e suprimir a individualidade. “A normalização é uma operação cirúrgica sem anestesia: tira-se um pedaço de alma por dia, com pinça. Um dia acordas e já não sabes muito bem quem eras”, escreveu, apontando os efeitos do conformismo moderno.

A crítica estende-se aos padrões sociais: “Tens contas certas, jantares com colegas, um feed com likes e zero rugas na testa. O que fizeste da tua estranheza? O que fizeste do que em ti era inclassificável, irrepetível, insuportável? Foste domesticado. Pior ainda: agradeces por isso.”


Uma metáfora sobre a vida adulta

Pedro Chagas Freitas não ficou por aqui. Com recurso a metáforas fortes, descreveu o quotidiano moderno como um espaço artificial e formatado. “A vida é um corredor de supermercado: tudo embalado, rotulado, à temperatura certa. Empurramos o carrinho com medo de chamar a atenção”, afirmou.

Mais adiante, reforça a desilusão com as ideias construídas na infância: “Quando éramos crianças, achávamos que ser adulto era mandar; afinal, é obedecer: ao trânsito, ao relógio, à produtividade, ao algoritmo, ao chefe, à ideia de sucesso.”


O apelo à autenticidade

O excerto termina com um apelo à autenticidade e à liberdade pessoal. “Eu não quero caber; quero voltar a ser inclassificável, a dar erros gramaticais na alma, a surpreender-me comigo. Quero ser uma nota fora na pauta. Quero que o que vivo seja meu. Radicalmente meu”, concluiu o autor.

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