Todos nós ao longo das nossas vidas, já tivemos decisões ou atitudes que mais cedo ou mais tarde nos viemos a arrepender.
Na altura em que tivemos essas mesmas decisões ou atitudes, sentíamos que éramos imortais, sentíamos que nada nos poderia vir a acontecer, mas enganem-se, porque mais tarde ou mais cedo um sentimento apelidado por solidão apoderar-se-á de nós.
A banda conimbricense “os quatro e meia” tem no seu espólio uma música que me toca imenso cada vez que a tocam, chamada “olá solidão “ . Essa mesma música é quer eu queira quer não, uma transcrição fiel a mim! Faz tempo em que me sentia imortal, o dono do mundo, o intocável. Nesses momentos, fiz tudo, tudo, e atualmente arrependo-me . Arrependo-me porque perdi quiçá a pessoa que mais amei na vida. A pessoa que me ajudou a crescer, a pessoa que me abriu horizontes, a pessoa que me viu concluir e fechar ciclos importantes. E hoje, com mágoa, pesar, tristeza e arrependimento, olho pra trás e vejo que estou só.
“ Eu tinha um lugar com vista para o mar
Que ninguém chegou a conhecer
Voei rente ao céu
Tudo era só meu
E o que ainda não era iria ser
Olho em volta agora estou sozinho
Não liguei às placas do caminho
Nem parei pra perguntar a direção “
Ao longo da vida, desperdiçamos pessoas, momentos e lugares, em troca de nada. Em troca de momentos de felicidade instantânea, tal como se de uma pastilha elástica se tratasse. Queremos viver aquele momento sem sequer ligarmos ao nosso momento atual, a nossa vida é aquém nos rodeia, e isso só trás uma coisa: desilusão, porque mais tarde ou mais cedo, esses momentos desvanecem, as outras pessoas seguem a vida, e nós, ficamos com o peso de tudo, mais o peso de desiludirmos quem nós mais gostamos.
Existem desilusões que se vão apagando com o tempo, mas existem outras que jamais tempo algum apagará.
Raramente nos vemos, mas quando assim acontece, o meu coração ainda dispara, tal como da primeira vez. Vemo-nos mutuamente através das redes sociais, e quero acreditar, que ainda te continuas a orgulhar dos trabalhos que produzo, das viagens que faço, e do pouco que partilho da minha vida pessoal.
Espero que um dia me voltes a cantar a “canção do metro”, com os teus olhos a brilhar e dando ênfase nas seguintes estrofes:
“ Sempre os mesmos a sorrir
Outros dois a aplaudir
Mais um tema chega ao fim
Um senhor sai do lugar
Chega perto, quer falar
E abre os braços para mim
Pensa bem, rapaz
Estás aqui p’ra quê?
Eras bem capaz
De vencer um concurso na TV”
Um dia havemos de nos voltar a encontrar!
E estas são as vicissitudes da vida adulta “
